O presidente Sebastián Piñera planejava um governo de muitas realizações, prinicipalmente na gestão e geração de empregos. Piñera, é o primeiro chefe de Estado que não pertence a Concertación (coalizão de centro-esquerda que governou o Chile de 1990 e 2010). No entanto, o terremoto que atingiu o país mudou sua agenda de governo.
A partir de agora, a prioridade do presidente é com a reconstrução do país. Com criticas pontuais a ex-presidente Michelle Bachelet (elevados gastos, por exemplo), Piñera veem adotando uma forma de governo que é vista positivamente pela população chilena.
Hoje, segundo as últimas pesquisas, 52% avaliam bem seu governo. Mais do que isso, aprovam sua atuação como presidente.
Apesar do início promissor, há muitos desafios para Piñera. Ao que tudo indica, o presidente terá que dedicar seu mandato a reconstrução do Chile.
Se for bem sucedido, se firma como uma grande liderança. Caso contrário, poderá abrir as portas para o retorno da Concertación daqui há quatro anos, principalmente se os programas sociais do governo Bachelet naufragarem.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O presidente Felipe Calderón enfrenta uma série de problemas. A economia mexicana foi uma das mais afetadas pela crise financeira mundial, devido a sua dependência em relação aos EUA.
Aliado a isso, os cartéis de droga estão provocando um clima de insegurança no país por conta da violências em muitas regiões.
Na área política, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país por 7 décadas, venceu as eleições legislativas do ano passado é se credencia como favorito na sucessão presidencial de 2012.
Esse cenário criou um clima negativo para Felipe Calderón, que veem perdendo popularidade (hoje, apenas 40% dos mexicanos aprovam seu governo) e poderá ter muitas dificuldades de se reeleger ou fazer seu sucessor se este cenário se mantiver.
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O ano de 2010 será bastante movimentado na América Latina. No
Uruguai, o ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica toma posse como
novo Presidente. Ele será o responsável por dar continuidade às conquistas
econômicas e sociais inauguradas pela Frente Ampla no governo do atual
Presidente, Tabaré Vázquez, em 2005. No entanto, como toda troca de
governo, haverá mudanças. Há um debate, ainda que silencioso, sobre a
manutenção ou não do Uruguai como membro do Mercosul. Há importantes
correntes entre os aliados de Mujica que defendem uma postura uruguaia
mais próxima à postura chilena: ser associado, mas com poderes para
executar as parcerias comerciais de seu interesse. Com a chegada da
Venezuela, há um sentimento de que a força uruguaia, que já era pequena,
ficará menor ainda. Além disso, a provável politização do Mercosul não
favorece o Uruguai.
Ainda assim, acredito que 2010 será mais um ano equilibrado no Uruguai. Um
dos grandes desafios de Mujica será manter a população jovem no país, já
que o povo uruguaio está, em média, cada vez mais velho. A tendência de
jovens uruguaios é seguir estudos na Argentina ou em outros países, o que
prejudica a força de trabalho do país. Mujica terá de investir para que os
jovens uruguaios sintam que poderão ter oportunidades semelhantes de
trabalho em seu próprio país.
No Chile, após 20 anos no poder, a Concertación – coalizão de
centro-esquerda que governa o país desde 1990 – corre o risco de ser
derrotada pela forças de centro-direita, agrupadas em torno de Sebastian
Piñera, da Aliança por Chile. Ele disputará o segundo turno contra o
ex-presidente Eduardo Frei, representante da Concertación, no dia 17 de
janeiro. Assim como no Uruguai, o Chile encontra-se no “piloto
automático”. Fundamentos econômicos não são pontos de divergência entre os
candidatos, mas pontos de convergência. Com uma campanha inteligente,
Piñera evitou ataques contra Eduardo Frei e preferiu caracterizar o
Concertación como a “manutenção da velha política chilena”. Piñera se
coloca como o candidato que manterá as conquistas do Concertación, mas com
melhorias. Para conquistar um público ainda mais amplo, Piñera saiu um
pouco da postura conservadora e passou a defender casamento entre
homossexuais e distribuição da pílula do dia seguinte. Por outro lado,
mesmo com uma popularidade acima de 80%, Michelle Bachelet não conseguiu
transferir isso a Eduardo Frei.
No Brasil e na Colômbia, a agenda política girará em torno
das eleições. No Brasil, amparado na popularidade do Presidente Lula, o PT
tentará chegar ao terceiro mandato consecutivo com a ministra Dilma
Rousseff. Pelo lado da oposição, o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), tenta conduzir os tucanos novamente ao poder. A não ser que surja
um fato novo, a eleição brasileira tende a ser novamente polarizada entre
PT e PSDB, o que já ocorre desde 1994. Por ora, o placar dessa disputa
está em 2×2: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu em 1994 e 1998, e o
PT deu o troco em 2002 e 2006, elegendo e reelegendo Lula. A decisão dos
vices deverá ser o grande assunto na virada do ano. Pelo lado de Dilma,
Michel Temer perde força a cada dia e Henrique Meirelles ganha força. No
lado de Serra, o senador Agripino Maia é um nome que está sendo bem
cotado, e por isso é um dos que mais luta para que houvesse a saída do
governador José Arruda de seu partido, o Democratas.
Na Colômbia, o cenário pré-eleitoral está indefinido. O Presidente
Álvaro Uribe, embora não tenha anunciado, pretende buscar o terceiro
mandato consecutivo. No entanto, precisa que a Suprema Corte dê o aval
para a realização do referendo popular. Enquanto esta questão não for
resolvida, o tabuleiro eleitoral ficará com suas peças incompletas. Se for
candidato, Uribe entra como franco favorito e deve ser reeleito com
facilidade. Por sua vez, se o Presidente ficar impedido de buscar a
segunda reeleição consecutiva, o “plano B” é o ex-ministro da Defesa, Juan
Manuel Santos. Mesmo assim, Uribe seria plenamente capaz de eleger Juan
Manuel Santos. Sua impressionante popularidade e a confiança da população
em seu governo levaria uma grande parcela da população a votar em um
candidato escolhido por Uribe. No entanto, a tendência é realmente que
Uribe seja candidato.
Na Argentina e no México, o foco estará nas questões
econômicas. Na Argentina, estima-se que a inflação fechará 2009 em alta de
35%. Para piorar as coisas, o Kirchnerismo está perdendo força política.
Em 2007, ano em que se elegeu Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
tinha uma popularidade de 55% e o apoio de 20 dos 24 governadores. Além
disso, contava com maioria no Congresso Nacional. Na Câmara, 161 dos 257
deputados eram Kirchneristas. No Senado, 47 dos 72 senadores faziam parte
de sua base. Cerca de dois anos depois, o capital político da mandatária
argentina foi seriamente afetado. Na Câmara, o Kirchnerismo conta com 104
dos 257 deputados em sua base. No Senado, 36 dos 72 senadores são
governistas. Para piorar as coisas, atualmente, apenas dez dos 24
governadores apoiam Cristina Kirchner. Com tantos problemas pela frente,
resta à Casa Rosada torcer pela recuperação econômica do país e que o
ex-presidente Néstor Kirchner retome o comando sobre o Partido
Justicialista (PJ), algo muito difícil de acontecer.
No México, a expectativa é que 2010 seja melhor que 2009. Por conta
da vinculação do país com a economia norte-americana, o PIB mexicano foi
fortemente atingido. Além de derrubar a popularidade do Presidente Felipe
Calderón, a conjuntura econômica desfavorável alavancou novamente o
lendário Partido da Revolução Institucional (PRI). Com cerca de três anos
de governo pela frente, Calderón aposta na recuperação da atividade
econômica para neutralizar seus dois principais adversários: o PRI e o
líder nacional Manuel López Obrador, do PRD.
No Bloco Bolivariano (Venezuela, Equador e Bolívia) podemos
aguardar um crescimento da retórica antiamericana. Na Venezuela,
Hugo Chávez testará sua popularidade e a do Partido Socialista Unido da
Venezuela (PSUV) nas eleições legislativas. Diferentemente de quatro anos
atrás, a oposição não boicotará as eleições, o que deve deixar a disputa
mais acirrada. No entanto, a oposição venezuelana padece de um mal muito
semelhante ao da oposição boliviana: não há articulação, há muitas
desavenças internas e disputas que desgastam seus nomes mais fortes. Desta
forma, caso não haja uma reestruturação sobre o que a oposição realmente
almeja alcançar, Chávez observará a implosão da oposição e terá uma
campanha relativamente tranquila. Na área econômica, o governo aposta que
o preço do barril do petróleo se valorize no mercado mundial. Se isso não
ocorrer, as dificuldades serão grandes, já que mais de 45% do Orçamento de
2010 foi destinado para gastos sociais. Além disso, a reserva que Chávez
conseguiu guardar quando o preço do barril estava acima dos US$ 100 já
está perto do fim. Ele depende, portanto, fortemente de um aumento no
preço do barril.
No Equador, o desafio do Presidente Rafael Correa será manter sua
elevada popularidade (cerca de 58% segundo as últimas pesquisas). Assim
como na Venezuela, o país terá problemas econômicos pela frente.
Dentro do Bloco Bolivariano, as atenções estarão voltadas para a
Bolívia. Após o resultado da última eleição presidencial, o
Movimento ao Socialismo – partido do Presidente Evo Morales – conquistou a
hegemonia no sistema político. O MAS, além de manter o controle da Câmara
dos Deputados, obteve maioria absoluta na Câmara dos Senadores. Assim, a
soma da popularidade de Morales com o poder conquistado pelo MAS deverá
fortalecer o projeto nacionalista-indigenista do mandatário boliviano. A
tendência é que a chamada “Refundação da Bolívia”, que foi travada pelo
Senado em diversas oportunidades, avance. Outro fator que ajuda Evo
Morales é a falta de articulação da oposição. Podemos esperar um governo
um pouco mais radical na Bolívia. Desta vez, Morales não terá tantos
entraves burocráticos, políticos e judiciais para implementar as mudanças
previstas na nova Constituição.
As políticas domésticas transcorrerão em 2010 muito semelhantes ao que
ocorreu em 2009 em todos os países. A geopolítica continental poderá
encontrar algumas movimentações um pouco mais diferentes. A conclusão das
compras militares pelo Brasil (caças, blindados, helicópteros e
submarinos) estimulará outros países a observarem seus próprios programas
militares. A Argentina, por exemplo, está aguardando algumas definições
sobre o Brasil para iniciar o seu processo de modernização das Forças
Armadas. Comenta-se que a escolha dos caças que o Brasil fizer afetará
diretamente a escolha que a Força Aérea Argentina fará. O Equador deverá
ser outro país que buscará uma modernização de suas Forças Armadas. O
Mercosul, por sua vez, iniciará uma nova fase em 2010. Com a entrada da
Venezuela, naturalmente, temas políticos passarão a fazer parte da agenda
do bloco. Isso poderá prejudicar a sobrevivência do Mercosul, uma vez que
já existe um membro pleno (Uruguai) onde a sociedade já discute se vale a
pena ou não continuar dentro do bloco.
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou que as pessoas que não notam as conquistas de seu governo têm “problemas oftalmológicos”.Segundo a agência Ansa, o mandatário paraguaio disse que há o Paraguai das grandes maiorias que dividem as conquistas, e o Paraguai seleto, que não quer ver os avanços.
A manifestação de Lugo foi uma tentativa de responder a quem avalia que seu governo não cumpriu as promessas feitas durante a campanha.
Fernando Lugo ainda ressaltou a existência de “grandes interesses corporativos e políticos” contra os projetos de mudança e afirmou que o apoio da população “ridiculariza os manipuladores da realidade”.
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Apesar de sua avaliação negativa chegar quase aos 70%, o presidente do Peru, Alan García, pode festejar um conjunto de notícias positivas nas áreas econômica e social.Visto como um mandatário que atende aos interesses dos “ricos” em função de sua agenda econômica mais conservadora, García classificou o informe “Cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2008” , elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como um sinal de que o país está vencendo a batalha contra a pobreza.
Segundo a ONU, o Peru está a ponto de cumprir com a meta de reduzir seus índices de pobreza extrema a metade de 23%, registrado em 1991. A estimativa do organismos é quem em 2015 esse percentual seja de 11,5%.
Em entrevista concedida a imprensa, García revelou que o número de moradias com água potável já superou as metas internacionais. O presidente atribuiu essa conquista ao trabalho de todos os ministros, presidentes regionais, prefeitos, organizadores sociais e dirigentes.
Na área econômica, mais boas notícias. De acordo com José Antonio Garcia Belaunde, ministro de Relações Exteriores, o Peru finalizará em breve os Tratados de Livre Comércio (TLC`s) com Coréia do Sul, Japão, União Européia e Tailândia.Os acordos entre União Européia e Coréia do Sul deverão ser concluídos antes do final do ano.
Já os TLC`s com Japão e Tailândia, ficarão para o primeiro semestre de 2010.
Mesmo com as críticas de que seu governo privilegia as questões econômicas em detrimento das sociais, o atual governo dá sinais de que não recuará em sua agenda econômica agressiva.
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A manifestação do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seu país e os EUA devem promover o progresso e a democracia em outros países do continente pode indicar que a decisão do governo brasileiro em dar asilo para o presidente deposto Manuel Zelaya, na sua embaixada em Tegucigalpa, conta com respaldo norte-americano.Mesmo que o Brasil seja politica e economicamente uma grande força na região, dificilmente o país entraria na crise política hondurenha sem o respaldo de Washington.
A ousada decisão brasileira foi importante para neutralizar a ação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No entanto, a tensão em Honduras está crescendo.
Na manhã de hoje, as forças de segurança cercaram a embaixada brasileira numa tentativa de forçar o Brasil a entregar Zelaya.
Mais do que isso, o governo de facto, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, acusou o Brasil de interferir nos assuntos internos de seu país.
Mesmo que não se fale nada a respeito, os EUA podem estar agindo nos bastidores nesta crise política. Aliás, Honduras é um país dependente de Washington. Os norte-americanos respondem por 67% das exportações e 52% das importações hondurenhas.
Além disso, o sucesso de uma intervenção brasileira seria positiva para impedir a movimentação de Chávez e a consequente postura anti-americana que viria da Venezuela.
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A estratégia do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de atuar como um líder que disseminaria o bom senso durante a Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não deu certo. Isso ocorreu pelo seu próprio comportamento.Na sua fala, Lula não apresentou nenhuma contribuição efetiva para solucionar a polêmica envolvendo o acordo militar firmado entre EUA e Colômbia. Além disso, o mandatário brasileiro discutiu com o presidente do Equador, Rafael Correa, depois de ser acusado de conduzir mal os debates.
Em seu discurso, Lula retomou a necessidade de um encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama. Insistiu ainda na convocação da reunião dos ministros do Conselho de Defesa e do Conselho de Combate ao Narcotráfico da Unasul, em setembro.
Apenas de leve, Lula citou a exigência de garantias jurídicas de que as ações das forças americanas se restringirão ao território colombiano. Acentuou um pouco mais apenas o temor de invasão da Amazônia.A consequência do insucesso dessa movimentação de Lula é que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fica com o espaço em aberto para expandir seu “Socialismo do Século XXI”, juntamente com seus colegas Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia).
Assim, mais uma vez, a chamada esquerda moderna—liderada por Lula, Michelle Bachelet (Chile), Alan García (Peru) e Tabaré Vázquez (Uruguai)—perde espaço para a esquerda tradicional, que cultiva os valores herdados da ex-União Soviética.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Mesmo de costas para a América Latina, seus acontecimentos passaram a influenciar cada vez mais o Brasil. A própria formulação da política externa brasileira é diferenciada entre a de “curto alcance”, para a região e a de “longo alcance”, para o mundo.
Ao mesmo tempo que o Brasil passou a se beneficiar de vários aspectos oriundos dos nossos vizinhos na região, a instabilidade institucional, social e econômica de muitos deles também trouxeram alguns problemas. O reflexo que cada gesto do Brasil gera nesses países, fizeram com que a tão almejada liderança regional do país começasse a se consolidar ainda mais.
Hoje, o Brasil tem na América Latina (como um todo) um dos principais parceiros econômicos. Com dinheiro, esses países se viraram para o Brasil na hora de comprar o básico. No entanto, há muitos riscos gerados nesses mesmos parceiros que hoje nos afeta muito mais do que afetava a quinze, vinte anos.
A Bolívia é um importante foco de risco para o Brasil nos próximos anos. Enquanto não houver uma solução domestica na Bolívia para suas diversas instabilidades, o Brasil não terá tranqüilidade e segurança em sua fronteira. A produção de coca, por mais que tenha um início bem intencionado (apenas para mascar), possui um resultado final trágico que afeta diretamente na instabilidade social da juventude brasileira em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. A droga que vem da Bolívia, em grande parte pelo afrouxamento da repressão local, tem um impacto devastador na estabilidade social brasileira. As tensões políticas oriundas das divisões étnicas se parece a cada dia com uma bomba relógio prestes a explodir. Uma eventual Guerra civil, que já pareceu mais provável, mas ainda não pode ser descartada, traria impactos terríveis para o Brasil gerando um grande problema de fluxo de imigração boliviana para o Brasil.
A Bolívia é apenas um exemplo, mas temos o Paraguai, com a pirataria como um ativo valiosíssimo para a manutenção da economia do país. Essa pirataria, que tem seu destino no Brasil é capaz de destruir pequenas indústrias brasileiras, principalmente na área de tecnologia, por não conseguirem competir com preços onde os impostos não são acrescidos. Para completar, rumores de que o Paraguai poderá se tornar a próxima Honduras nos anos a seguir, preocupam ainda mais, por se tratar de mais um problema fronteiriço.
Olhando mais acima, a Venezuela se trata de mais um problema moral do que prático para o Brasil. A destruição potencial que a Venezuela pode gerar tem na sua população a maior vítima. Claro que hoje e em um futuro próximo, o Brasil não atacará nem criticará a ausência de valores democráticos no país de Chávez. Como El Comandante terminou de destruir a já fraca indústria venezuelana, o Brasil viu suas exportações quintuplicarem e hoje exporta US$ 5 bilhões para nosso vizinho no norte. A equação “bastante dinheiro + fracasso administrativo = lucros fabulosos para a indústria brasileira”. Hoje exportamos tudo para a Venezuela, até biscoitos e logo será até água mineral. Por tudo isso, o governo e os exportadores preferem a manutenção de Chávez no poder.
A Colômbia já foi uma fonte maior de riscos para o Brasil. O governo do Presidente Álvaro Uribe conseguiu o impossível: em oito anos destruiu 80% das FARC. O resultado a longo prazo é que o fluxo de cocaína vindo da Colômbia para o Brasil deva diminuir.
A Argentina também representa um risco constante para o Brasil. Porém, como a Argentina não consegue fazer muitas coisas (na política e economia) bem feitas, nem suas crises estão conseguindo afetar o Brasil como antigamente. Hoje e amanhã os possíveis riscos impostos pela Argentina não afetarão diretamente o Brasil, mas sim acelerará a inutilidade do MERCOSUL. Para o Brasil, poderá até ser um bom resultado, já que no MERCOSUL chegamos a sofrer com o fato de não podermos ter um acordo bilateral com a China pois o Paraguai reconhece apenas Taiwan (principal exportador de produtos tecnológicos para Assunção).
O Instituto Nacional de Estatísticas do Uruguai, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento Social do país, revelou que cerca de 180 mil uruguaios deixaram a linha da pobreza. Os dados do último ano apontam que em dezembro de 2007 havia no Uruguai 26% de pessoas pobres, enquanto que em 2008, no mesmo mês, este número caiu para 20,5%.Segundo a agência Ansa, 683.480 dos cerca de 3,3 milhões de habitantes estão hoje na linha da pobreza. Informe do instituto indica que em todos os grupos de idade foram registradas diminuições. No entanto, ainda é evidente a concentração da pobreza entre os menores.
Entre os menores de 12 anos, a queda foi significativamente mais forte, com oito pontos percentuais a menos. Já a população com até cinco anos de idade registrou uma queda de 46,9% em 2007 a 39,4% em 2008; e de seis a 12 anos, este número foi de 46,8% a 37,3%.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Por Thiago de Aragão (*)
O crescimento econômico que muitos países da América Latina vivenciaram
nos últimos anos trouxe muitos aspectos positivos. Além desses aspectos
óbvios, tais como melhoria na condição social, estabilidade econômica e
capacidade de planejamento, entre outros, a expansão econômica trouxe
também novas questões para países latino-americanos se posicionarem.
Historicamente, como extensão da Europa no Novo Mundo, a América Latina se
viu comercialmente (e muitas vezes politicamente) vinculada aos EUA e à
Europa. Em uma escala também importante, os países dependiam de seus
vizinhos para manter certos setores estratégicos de suas economias
funcionando ativamente.
O sucesso econômico que a última década trouxe a alguns países, tais como
Brasil, Chile, Peru e Colômbia, entre outros, ampliou a visão comercial de
cada um desses países. Anteriormente, a dependência econômica dos EUA e
Europa restringia e diminuía o poder de negociação de qualquer país
latino-americano. Isso foi um grande combustível para que a retórica
furada de que “somos explorados pelos ianques imperialistas e europeus
colonizadores” se perpetuasse entre pseudointelectuais que não reconheciam
a incapacidade de nossos negociadores, mas apenas o proveito que os
estrangeiros tiravam de nós.
Hoje, essa situação está bastante diferente. O mundo diversificou sua
capacidade de produção e sua família de consumidores. O Brasil, por
exemplo, ampliou sua venda de produtos (e diversificou o cardápio de
produtos exportados) na América Latina, manteve os EUA e Europa como
consumidores importantes e tem na China um potencial “cliente” com
capacidade para causar um tsunami na balança comercial brasileira.
Comercial e economicamente todos nós já sabemos os benefícios da
diversificação de mercado e como isso gera um potencial de crescimento na
produção sensacional. Politicamente, a chegada de novos “players” muda um
pouco as perspectivas geopolíticas na América Latina:
1. A chegada de um novo “player” faz com que a demanda de produção
aumente, mantendo o crescimento econômico em um ciclo virtuoso e de
expansão;
2. A capacidade de barganha de países latino-americanos com velhos
compradores aumenta, pois um novo comprador é a segurança de que um
produto pode deixar um destino e assumir outro;
3. Assim, os EUA precisarão rever suas políticas de negociação com países
como Brasil e Peru, por exemplo, pois estes demandarão contrapropostas
interessantes para que este continue a ser preferencial no destino de
certos produtos;
4. Negociações comerciais, como a Rodada de Doha, por exemplo, ganham uma
nova dinâmica, já que alternativas viáveis e interessantes podem surgir
sem a presença de grandes economias, como EUA e Europa.
O maior desses players, naturalmente é a China. Ainda tímida em termos de
percepção, mas gigante em termos estatísticos, a presença dos chineses na
América Latina oferece uma alternativa que implica em uma total mudança de
conduta de países latino-americanos que desejam ter laços fortes com a
China. A região, e particularmente o Brasil, podem oferecer em abundância
itens vitais para a sobrevivência de um país ao longo deste século:
alimentos, energia e água.
A questão de alimentos já está bastante ativa. O Brasil exporta uma
quantidade considerável de arroz, soja, milho e outros produtos para a
China. Peru e Argentina também estão ampliando suas exportações para o
Oriente. Se antigamente os grandes mercados se dividiam entre EUA, Europa
e doméstico, um país com a população e apetite da China muda totalmente a
perspectiva de negociações. Já vemos interesse chinês em comprar terras na
América Latina para gerenciar uma produção aqui e, aos poucos, tomar conta
da logística de envio até a China. Isso é perigoso e contraproducente para
os latino-americanos. A cadeia logística deve sempre estar em poder dos
governos locais, para que não se perca o poder de negociação.
Energia segue sendo tão importante para os chineses como alimentos. Isso
pode ser uma grande oportunidade para atrair investimentos diretos para a
infraestrutura de cada país. Vale lembrar que o tema “energia” recolocou a
América Latina no mapa da geopolítica global tanto pelos pontos positivos,
como o pré-sal, tanto como pelas peripécias de Hugo Chávez financiadas por
petrodólares. Nesse setor, veremos uma presença chinesa mais forte e
evidente. Projetos de usinas e empresas que explorarão campos de petróleo
e gás natural virão da China com força total. Novamente, se o processo
logístico se perder e ficar integralmente nas mãos dos chineses, a China
de amanhã será interpretada como os EUA de ontem na América Latina. O
biocombustível é a “menina dos olhos” do governo brasileiro e, se bem
usado, será o grande objeto de barganha e negociação que o Brasil terá
para conseguir o que for conveniente não só da China, mas também dos EUA e
da Europa. Para isso, deve haver uma regulamentação doméstica desde a
produção até a distribuição para o cliente final no exterior de forma
transparente. Só assim, a confiança existirá e os investimentos maciços
externos na área ocorrerão.
Finalmente, água é um ponto sensível e bastante estratégico. No entanto,
este é um setor que assumirá um papel preponderante mais à frente. O mundo
reconhece que a necessidade de água potável aumenta a cada dia, mas ainda
não o suficiente para agir ativamente nas relações políticas entre países.
No entanto, a proteção do meio ambiente e ecossistemas onde esse bem é
encontrado está longe de ser bem feita. Assim, o mundo não confia na
América Latina como uma região segura para gerenciar esse recurso ao longo
dos próximos anos.
O tratamento das relações com a China deve ser muito bem pensado. Se
houver uma abertura total para a chegada dos chineses em forma de
investimentos, presença física de empresas e principalmente controle da
logística estratégica de alguns setores, corremos o risco de regredir e
voltarmos a ser dependentes de um só país. Devemos dar a oportunidade para
que a China e outros invistam no País, em uma condição de parceiros e
nunca de indispensáveis. Assim, Brasil, México, Argentina e Colômbia
poderão diversificar e ampliar suas produções e ter como compradores
vitais não só os chineses, mas também americanos, europeus, russos e
indianos.
* Diretor de Estratégia da Arko Advice