Perto de encerrar seu mandato, a popularidade do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, atingiu os 80%, índice recorde no país.Segundo a agência Ansa, um levantamento da consultoria Factum apontou que o mandatário uruguaio tem o apoio de 96% dos eleitores que costumam votar na Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda que Vázquez faz parte.
Além disso, o atual presidente é bem visto por 63% dos eleitores tradicionais dos partidos Nacional e Colorado.
A sondagem também apontou que 80% dos uruguaios avaliam Tabaré Vázquez positivamente.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, afirmou que o comércio internacional do próximo ano começará a se recuperar da crise econômica com a ajuda dos países do Hemisfério Sul.Segundo a agência Ansa, em uma reunião de embaixadores, Taiana também disse que as autoridades argentinas acreditam que as trocas comerciais vão crescer mais rapidamente nos países desenvolvidos. Por isso, 62% das missões comerciais previstas estão direcionadas para o sul.
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Após uma semana em que a compra de armamentos militares por parte do
Brasil foi um tema de repercussão continental, o assunto sofreu uma
pequena mutação. Naturalmente, como a compra dos caças ainda não foi
formalizada e vem gerando problemas para o Ministro da Defesa, Nelson
Jobim, e para o Presidente Lula, o assunto continuará bastante vivo e
discutido não só domesticamente mas também entre nossos vizinhos. Era de
se esperar, porém, que após discussões e especulações específicas
envolvendo a compra de aviões, os atores globais envolvidos nessas compras
passassem a ter um papel mais importante.
A América do Sul se tornou um palco bastante interessante, o que não
ocorria desde os tempos das ditaduras regionais. A busca por influência
política ganhou um status que não é compatível com os tempos de paz que
vivemos. Por outro lado, esse interesse de vários países do mundo em
marcar território na América do Sul é perfeitamente compatível após o
desempenho do Brasil e de alguns outros vizinhos na forma de lidar com os
impactos da crise econômica.
Em parte, a compra de armamentos militares apenas ilustram o
posicionamento geopolítico que observamos. A Colômbia, por exemplo, se
consolida cada vez mais como um forte aliado dos EUA na região. Está bem
claro o interesse que os dois países têm em cooperar, principalmente após
os expressivos resultados que esta parceria vem gerando nos últimos anos
contra os guerrilheiros das FARC. À medida que a Colômbia ganha
envergadura, não só pela sua admirável recuperação frente ao narcotráfico
e a guerrilha, o país vem se posicionando como um importante pólo de
atração de indústrias e mercado para obras de infraestrutura. O resultado
disso é uma solidificação na parceria com os EUA, que em algumas vezes
acaba gerando problemas com seus vizinhos. Recentemente, o Presidente
Álvaro Uribe deixou bem claro seu descontentamento frente à “falta de
sensibilidade” que alguns países têm em relação à batalha travada entre
Colômbia e as FARC e sobre a necessidade de utilizar apoio
norte-americano.
O maior crítico desta parceria é o venezuelano Hugo Chávez. Com o intuito
de sustentar uma política de resultados reais de curtíssimo prazo e sem
grandes perspectivas de crescimentos sólidos, Chávez argumenta que o apoio
norte-americano aos colombianos visa apenas um grande objetivo: invadir a
Venezuela para tomar o petróleo da Faixa do Orinoco. Este argumento
surreal serve muitas vezes para mascarar vários problemas domésticos que a
Venezuela vem enfrentando. Como resposta a esta parceria, Chávez trata de
iniciar algo similar com a Rússia, por mais que os russos não tenham lá
tanto interesse assim. A visita desta última semana de Chávez a Moscou
deixou claro para analistas de todo o mundo que o interesse russo não vai
além da comercialização de armamentos para a Venezuela. Se trata de uma
relação cliente-empresa. A oferta de Chávez para que a Rússia passasse a
contar com bases militares no país não foi levada tão a sério em Moscou
quanto foi aqui na América do Sul. Entre os russos, sabe-se que não vale a
pena envolver-se em um jogo de intrigas quando o que a Rússia
verdadeiramente quer é promover suas indústrias.
Para quem observa a configuração que vem se formando, existe na região uma
presença política forte, evidente e com objetivos claros (EUA com
Colômbia). Há também algo que não pode ser chamado de parceria, com
interesses exclusivamente comerciais de um lado e políticos de outros
(Rússia e Venezuela). Para apimentar o ambiente, o Brasil surge com novos
ingredientes. Já foi discutido insistentemente a questão dos armamentos,
mas há um interesse muito grande da França em obter um espaço perdido na
esfera de influência sul-americana.
Por mais que o Brasil seja um país de grande envergadura e potencial que
aos poucos se torna realidade, a França ainda acredita no Brasil em uma
posição inferior. Se trata de uma relação entre português e índio, mas os
“espelhinhos” que nos oferecem são modernos (?) caças Rafale. O Brasil é
um país bem diferente de Colômbia e Venezuela. Claro que temos o que
aprender com as virtudes do primeiro e os fracassos do segundo, mas não
somos um campo fértil para uma presença exagerada de um país estrangeiro.
Faz bastante sentido o posicionamento dos EUA frente à Colômbia e
vice-versa. No entanto, em uma época em que independência e autonomia são
palavras-chave, não faz sentido o Brasil portar-se como um país menor e
amarrar-se a um único parceiro.
Independente disso, as repercussões do que Colômbia, Venezuela e Brasil
fizerem na região afetará fortemente os outros vizinhos. A Argentina já se
prepara para tentar melhorar seus armamentos militares. Certamente
dependendo do que o Brasil escolher, a Argentina tenderá a seguir um
caminho semelhante. O Peru, como foi sinalizado esta semana, buscará uma
aproximação ainda maior com os EUA. Regionalmente, o Peru poderá ser a voz
de solidariedade para com a Colômbia, caso esta realmente deixe a Unasul.
Já Bolívia e o Equador seguirão o mestre – no caso, a Venezuela.
Em resumo, a América do Sul está cada vez mais politizada. A última
reunião da Unasul em Quito deixou isso bem claro. Com a passagem da crise,
os temas políticos voltarão cada vez com mais força. O Brasil deverá
assumir um forte papel de mediação, dando o exemplo de não atrelar-se a um
só país. A lógica recente das relações internacionais defende a
multiplicação de parceiros – e isto era, inclusive, algo bastante
defendido por Lula em 2002. O Brasil deveria ter vários parceiros para não
depender apenas de um, e assim diminuir seu raio de ação.
A semana na América Latina foi bastante movimentada pelas repercussões do
comentário do Presidente Lula ao lado do Presidente francês, Nicolas
Sarkozy. Além de ser o convidado de honra e do fato de ser o Ano da França
no Brasil, Sarkozy veio com uma missão simples e outra relativamente
difícil. A simples seria concretizar o que já estava decidido ou
parcialmente decidido: a compra dos submarinos e helicópteros. A missão
difícil seria a de virar o jogo em relação aos caças que o Brasil deseja
comprar.
Ainda sem ter um parecer técnico, o Rafale (caça francês) não era visto
como favorito dentro da FAB. A escolha dos engenheiros é aparentemente
pelo avião sueco Gripen NG, enquanto os pilotos têm preferência pelo
norte-americano Super Hornet F-18. Baseado na informalidade, Lula
facilitou o trabalho de Sarkozy quando argumentou que a escolha do Rafale
seria por este estar “transferindo tecnologia”. No programa FX-2, a
transferência de tecnologia é uma condição eliminatória desde o início da
licitação. Todos os três atuais competidores apresentaram sólidas
propostas de transferência de tecnologia.
Independente do mérito da melhor ou pior escolha para o Brasil, Lula criou
um problema grave. A competição se tornou um alvo relativamente simples de
advogados que queiram paralisar judicialmente o FX-2. Previsto para
terminar somente em outubro, Lula ignorou a FAB e criou um mal-estar
diplomático com EUA e Suécia. Na América Latina, a repercussão foi
imediata. A imprensa colombiana, por exemplo, busca saber se haverá na
América do Sul uma disputa por influência entre EUA, França e Rússia.
Segundo os colombianos, a lógica se dará pelo apoio irrestrito dos
americanos à causa colombiana contra as FARC, a aproximação entre Chávez e
Rússia e agora, pela possibilidade de o Brasil comprar tudo “de uma cesta
só”.
A soberania, palavra repetida diversas vezes pelo governo brasileiro, se
coloca em uma situação dúbia: depender de um só país para armamentos
estratégicos, bem como suas peças e know-how. Esta mesma soberania foi o
tema no qual os formadores de opinião argentinos resolveram bater. O
Brasil realmente vai assumir uma posição global predominante, ou está
querendo acelerar esse processo se amarrando com um país alinhado? Para os
argentinos, a compra dos armamentos brasileiros é de grande importância.
Em algumas ocasiões, esses deixaram claro que, no caso dos caças, a
escolha do Brasil poderia ser a mesma da Argentina. No entanto, com o
valor estratosférico do Rafale, que mesmo reduzido continuará elevado
frente aos outros dois concorrentes, a Argentina não poderá comprar nem um
esquadrão completo. Como parte do pacote de sedução oferecido por Sarkozy,
o Brasil terá exclusividade para vender Rafales na América Latina. No
entanto, qual país da região terá condições de comprar esse avião?
No México, o tom foi de ironia. Formalmente a compra doas armamentos
brasileiros foi muito pouco discutida, mas em conversas com fontes do
governo mexicano estes acreditam que o Brasil poderá fazer um negócio
complicado com a França caso compre mesmo os Rafale. Pondera-se,
inclusive, que este avião não conseguiu ser vendido fora da França. Foram
14 licitações perdidas e muitas confusões. Não há dúvida que se trata de
um excelente caça, mas correndo um grande risco de ter no Brasil e na
Líbia seus únicos compradores.
Obviamente não foi só a compra brasileira que movimentou as especulações e
notícias na região. Se este foi, sem dúvida o assunto mais importante na
geopolítica regional, importantes países tiveram movimentações domésticas
nos últimos dias. Na Colômbia, o Presidente Álvaro Uribe se aproxima -
ainda que a passos de formiga – de um terceiro mandato. Um referendo
popular poderá ocorrer, e nesse caso Uribe com certeza sairá vitorioso.
Na Argentina, Cristina Kirchner foi capaz de resgatar um problema que
estava aparentemente superado. A crise com os ruralistas foi retomada,
podendo, inclusive, ser maior do que a última, ocorrida alguns meses
atrás. O tiro no pé de Cristina foi vetar a lei de emergência agropecuária
após o Congresso ter aprovado o projeto. Manifestações são esperadas em
todo o paós ao longo da próxima semana, bem como pressões internas do
partido e do governo para que Cristina volte atrás.
Na Bolívia, a campanha eleitoral está sendo relativamente tranquila para
Evo Morales, que possivelmente poderá vencer no primeiro turno. Com
fortíssimo apoio dos movimentos sociais no país, Morales encontra uma
oposição fragmentada e sem poder de fogo. Além disso, não há uma
hierarquia de ataques provocados pela oposição, e sim críticas jogadas sem
uma coordenação prévia. Por mais que Morales tenha oferecido um arsenal de
razões para que seu governo seja atacado pela oposição (problemas na
distribuição de gás e combustível, por exemplo), o Presidente boliviano
consegue avançar sem muitos problemas rumo à reeleição.
A região continua correndo perigo devido à cessão de sete bases colombianas a oficiais dos EUA, afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa.Segundo a agência Ansa, em seu programa semanal de rádio e televisão, o mandatário falou sobre os resultados da cúpula de chefes de Estado da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
O mandatário equatoriano se mostrou satisfeito com os resultados, embora continue desconfiado quanto aos objetivos e ao alcance do pacto bilateral.
De acordo com Correa, ninguém poderá assegurar que Bogotá vá mesmo manter o controle das instalações.
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A empresa chinesa Shougang Ferro Peru investirá US$ 1 bilhão no país andino com objetivo de ampliar sua produção de ferro em 10 toneladas anuais, segundo informou o presidente da empresa, Wu Bin, após visita realizada ao presidente peruano, Alan García.De acordo com o portal “América Econômica”, isso ajudará a consolidar a posição da empresa no país, que junto com outras companhias chinesas compra participações no setor mineiro da região.
Segundo Wu Bin, a ampliação da fábrica está prevista para entrar em operação no final de 2010, gerando mais investimentos e postos de trabalho.
Devido a crise financeira mundial, um dos principais problemas enfrentados pelas mineradoras latino-americanas são a queda na produção e preços da matérias-primas, que aumentaram o desemprego no setor.
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ARGENTINA: País vive uma crise de confiança. A estatização dos fundos de pensão oi vista pelo mercado como um sinal de que as regras do jogo podem ser alteradas no país. Diante disso, crescem os rumores sobre uma crise econômica.
URUGUAI: Começam as articulações para a eleição presidencial de 2009. O presidente Tabaré Vázquez quer que o candidato seja o ex-ministro da Economia, Danilo Astori, entretanto, as bases da Frente Ampla já começaram um abaixo assinado para que saia uma mudança constitucional que permita ao presidente concorre a reeleição. Por trás de tudo isso, está o temor de uma recessão econômica. Se isso ocorrer, apenas a candidatura de Tabaré poderia evitar o retorno ao poder dos setores conservadores.
PARAGUAI: O presidente Fernando Lugo começa a viver problemas em sua coalizão. O principal partido de sua aliança, o PLRA (Partido Liberal Radical Autentico), reivindica mais espaços. Algumas de suas lideranças mostram-se arrependidas do apoio dado ao chefe de Estado paraguaio.
CHILE: O projeto de poder da Concertación está seriamente ameaçado. Nas eleições municipais de domingo passado, a Renovação Naciona, coalizão de direita, venceu as eleições. Nas pesquisas de opinião, Sebastián Piñera aparece liderando todas as sondagens. Após 18 anos, a Concertación poder ser derrotada na sucessão presidencial de 2009.
COLÔMBIA: Congresso Nacional derrotou o projeto de lei que tentava abrir a possibilidade do presidente Álvaro Uribe concorrer ao 3º mandato.
VENEZUELA: Queda no preço do petróleo no mercado internacional cria problemas para o orçamento do governo para o ano que vem, ameaçando o projeto político de Chávez. Assim, o presidente utilizará as eleições regionais de novembro para radicalizar seu discurso, transformando a eleição num plebiscito sobre sua liderança. Se for vencedor, pode tentar um novo plebiscito para concorrer a reeleição ilimitada
BOLÍVIA: Divisão na oposição em torno da aprovação do referendo que pode aprovar a nova Constituição favorece o governo. Atento a isso, o MAS aposta na construção de uma hegemonia no país.
PERU: Crise política obrigou Alan García a modificar todo o 1º escala devido ao suborno que funcionários de seu governo receberam para fraudar licitações para exploração de petróleo. Isso aumentou a rejeição do presidente que hoje é de 70%.
MÉXICO: O Congresso Nacional aprovou a reforma energética. Com isso, o presidente Felipe Calderón poderá contar com recursos da iniciativa privada para a PEMEX aumentar sua produção.