O governo Cristina Kirchner enfrenta um momento político e econômico bastante conturbado. Além da oposição dos exportadores de grãos (insatisfeito com a tentativa do governo em aumentar impostos sobre as exportações), o Kirchnerismo pediu a maioria parlamentar que tinha no Congresso nas eleições legislativas do ano passado.
Em meio a isso, a mandatária argentina comprou uma briga ao utilizar reservas do Banco Central para pagar dívidas e tentar recuperar a credibilidade junto ao mercado financeiro.
Embora a decisão tenha sido aprovada pela Justiça após uma intensa batalha Jurídica, a oposição questiona a legalidade da medida pois ela ainda não foi aprovada pelo Congresso.
Com um ambiente de tenta conturbação, os questionamentos a presidente Cristina Kirchner crescem. Hoje, a aprovação do governo é inferior a 30%, fato que deixa o Kirchnerismo com problemas na sucessão presidencial de 2011.
Com Cristina desgastada, resta ao governo lançar o nome do ex-presidente Néstor Kirchner. Entre seus principais adversários estão o também ex-presidente Eduardo Duhalde, o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, e governador de Santa Fé, Carlos Reutemann.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, afirmou que o comércio internacional do próximo ano começará a se recuperar da crise econômica com a ajuda dos países do Hemisfério Sul.Segundo a agência Ansa, em uma reunião de embaixadores, Taiana também disse que as autoridades argentinas acreditam que as trocas comerciais vão crescer mais rapidamente nos países desenvolvidos. Por isso, 62% das missões comerciais previstas estão direcionadas para o sul.
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Mais uma vez, os indicadores econômicos do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) divergem das projeções feitas por consultorias econômicas privadas. Esse fato que tem sido uma constante desde que o Kirchnerismo chegou ao poder, em 2003.Segundo o Indec, a atividade econômica na Argentina registrou um crescimento de 0,2% entre janeiro e agosto deste ano.
Esse índice contrasta com os cálculos das consultorias privadas, que asseguram ter havido uma contração de 5,5% no primeiro semestre de 2009.
As divergências entre os números oficiais e o das consultorias privadas vão mais além. Enquanto o orçamento do governo estima um crescimento de 4% neste ano, os prognósticos privados falam numa contração de 3 a 5%.
A polemica envolvendo os índices econômicos do país é negativo para a presidente Cristina Kirchner, pois gera em clima de incerteza nos investidores em relação a verdadeira situação econômica da Argentina.Assim, além de conviver com uma série de problemas políticos (conflitos com os grandes conglomerados de comunicação por conta da chamada Lei de Mídia, minoria no Congresso e divergências entre Cristina e seu vice, Júlio Cobos), a Casa Rosada precisará ser muito eficiente na estratégia política e de comunicação para convencer que a situação econômica no país não reflete as estimativas dos economistas privados.
É justamente por conta desses obstáculos que o Partido Justicialista está dividido entre três candidaturas para a sucessão presidencial de 2011. São especulados como alternativas os ex-presidentes Néstor Kirchner e Eduardo Duhalde, além do senador Carlos Reutemann.
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A estratégia econômica da Argentina visa acessar mercados voluntários de crédito internacional e o Brasil não é um “elefante” com o qual se deve tomar cuidado, afirmou o ministro da Economia argentino, Amado Boudou.Segundo a agência Ansa, em uma entrevista concedida a imprensa, ele disse que o país tem com o Brasil complementaridades e assemetrias.
Com essa manifestação, Boudou rechaçou os comentários feitos de que a economia brasileira poderia representar uma ameaça à Argentina.
Sobre a economia local, o ministr disse que o país “está começando a ter uma aceleração maior”.
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A decisão do governo venezuelano de estatizar três siderúrgicas pertencentes ao grupo Techint recebeu o apoio de dois deputados federais argentinos de centro-esquerda, contrariando seus colegas no Parlamento, que criticaram duramente o presidente Hugo Chávez.Segundo a agência Ansa, Horacio Alcuaz, da Coalizão Cívica, rechaçou as iniciativas parlamentares que pretendem bloquear o ingresso da Venezuela ao Mercosul, ao alertar que pretender que os interesses do grupo Techint representem o interesse nacional argentino é muito ingênuo.
Por sua vez, o deputado Claudio Lozano assinalou que o grupo empresarial Techint não é argentino, pois seus donos são a família italiana Rocca, sua sede legal é o paraíso fiscal de Luxemburgo e a assembleia de acionistas ocorre na Itália.
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Com o objetivo de intensificar as relações político-militares entre a Argentina e a Alemanha, os ministros da Defesa dos dois países, Nilda Garré e Franz Josef Jung, respectivamente, assinaram uma declaração conjunta.Segundo a agência Ansa, o Ministério da Defesa da Argentina especificou que o compromisso foi assinado em Berlim, onde Nilda Garré se encontra em viagem. A declaração expõe a intenção de continuar intensificando a cooperação no âmbito político-militar entre os dois Ministérios da Defesa e das Forças Armadas, sobre a base de um exame recíproco de matérias de interesse comum e de possibilidades existentes.
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O governo está otimista quanto às negociações com a Embraer para adquirir 22 aeronaves para a companhia Aerolíneas Argentinas, afirmou ontem o ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, a uma rádio local. Segundo a agência Ansa, ele informou que, como parte da parceria, o governo argentino reativará a Área Material de Córdoba, sua indústria de aviões situada no centro do país.”O acordo ajudará a ressuscitar a indústria aeronáutica nacional, que ficaria responsável pela manutenção das aeronaves da Embraer. Isto significará também um forte desenvolvimento do setor, porque a Argentina passaria a receber para conserto e manutenção, além dos aviões brasileiros que façam rotas na Argentina, outros que voam por todo o Cone Sul”, ressaltou o ministro.
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O Senado argentino aprovou ontem o projeto de lei que antecipa as eleições legislativas de outubro a junho deste ano. O próximo passo é a sanção pela presidente Cristina Kirchner até sábado. Segundo a agência Ansa, a norma havia sido aprovada em um curto espaço de tempo pela Câmara dos Deputados e ratificada pela Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado.
Metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado serão renovados nas próximas eleições. De acordo com os analistas, essas votações representam um desafio ao governo de Cristina Kirchner que, após 15 meses do início de seu mandato, perdeu parte do apoio popular.
A oposição argumenta que a antecipação se deve justamente à perda do apoio eleitoral de Cristina. No entanto, o governo afirma que o projeto tem o objetivo de evitar um aprofundamento da crise econômica no país.
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Com o objetivo de antecipar para junho as eleições legislativas previstas para outubro deste ano, o governo argentino pretende enviar ao Congresso um projeto para modificar o Código Eleitoral. O titular interino do Senado, José Pampuro, disse ter tomado conhecimento da notícia por meio da mídia.O projeto de lei teria de ser aprovado até o próximo dia 28, conforme determina o Código Nacional Eleitoral, para que as eleições parlamentares ocorram em junho.
O projeto teria como intuito evitar que um eventual aprofundamento da crise cause impactos negativos entre o eleitorado da presidente Cristina Kirchner, principalmente após a derrota eleitoral na província de Catamarca, de acordo com a imprensa local.
Segundo a agência Ansa, o projeto de lei antecipará as eleições, que renovarão parte da Câmara dos Deputados e do Senado, para o próximo dia 28 de junho, caso seja apresentado e aprovado.
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A Argentina não vai desmontar o aparato protecionista que afeta produtos de exportação brasileiros desde setembro de 2008. Essa posição foi sustentada ontem pelo ministro argentino de Relações Exteriores, Jorge Taiana, ao final do encontro de duas horas e meia entre as delegações dos dois países no Itamaraty.
O Brasil recebeu ainda a inesperada pressão argentina para que adotasse medidas coordenadas com Buenos Aires para barrar bens provenientes de países de fora do Mercosul que estavam destinados originalmente aos mercados mais atingidos pela crise – o chamado desvio de comércio. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, entretanto, que o governo não seguirá esse caminho e não aplicará medidas unilaterais.
“As normativas continuam vigentes. Assim como as do Brasil”, declarou Taiana à imprensa, referindo-se às medidas restritivas ao comércio aplicadas por seu país e também às iniciativas brasileiras que, do ponto de vista argentino, igualmente afetam o intercâmbio bilateral.
No encontro de ontem, nem Brasil nem Argentina se comprometeram com as demandas de lado a lado. Ambos preferiram criar um grupo de trabalho para estudar mecanismos financeiros “criativos” e capazes de minimizar os efeitos da crise sobre o comércio bilateral.
O grupo terá como prazo para apresentar seu relatório final o dia 23 de abril, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner se reunirão em Buenos Aires.
Sem nenhuma medida positiva concreta, Lula e Cristina terão de se armar de coragem para um encontro um mês antes, em 20 de março, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade quer que o governo adote uma espécie de Lei de Talião, ou seja, a adoção de barreiras contra produtos argentinos como represália às medidas aplicadas por Buenos Aires.
Em resposta às pressões do setor industrial local, no final de setembro a Argentina passou a exigir a licenças automáticas de importação para um conjunto de 1.200 itens – muitos dos quais exportados pelo Brasil. Também elevou os preços mínimos de importação para 120 produtos brasileiros e chineses. Naquele momento, o país vizinho mantinha sete medidas antidumping contra produtos brasileiros, contornadas por meio de acordo de preços em quatro casos. Segundo a Fiesp, sete setores brasileiros foram atingidos por essas iniciativas, consideradas protecionistas.
Ontem, Taiana afirmou que seu governo não considera essas medidas como barreiras comerciais. Porém, queixou-se discretamente de um velho tema da pauta Brasil-Argentina – o déficit que seu país contabiliza no comércio bilateral desde 2003 e que, no ano passado, alcançou US$ 4,3 bilhões.
Em princípio, o novo grupo de trabalho analisará um pacote de generosas concessões do governo Lula para a Argentina, com o objetivo de aliviar as dificuldades de acesso de suas empresas ao crédito. Entre as propostas que serão analisadas está a criação de um mecanismo de swap de moedas. O Banco Central desembolsaria reais para o governo argentino destinar a companhias com dificuldades de rolagem de dívida e de financiamento das exportações para o Brasil.