Apesar do governo Bachelet ter sido muito eficiente na utilização dos programas sociais para alavancar sua popularidade, o sentimento de renovação ajuda a oposição.
O desgaste governista e a busca pelo “novo” começou dentro do próprio sistema político. A Concertación, que sempre se uniu para derrotar a direita, saiu com três candidaturas. Mais do que isso, Marco Enríquez-Onimani, candidato independente, fez mais de 20% dos votos.
São indicativos de que os políticos e o eleitorado chileno estão atrás do “novo”, sentimento que foi muito bem explorado por Sebastián Piñera e seus estrategistas.
Outro fator que prejudica o governo e ajuda a oposição é a candidatura de Eduardo Frei. Num cenário em que a palavra-chave é renovação, a escolha de um ex-presidente—mesmo que com um programa “novo”—facilitou a Piñera reforçar seu discurso de mudança.
Por já ter presidido o Chile e carregar o desgaste de 20 anos de governos da Concertación, ficou fácil rotular Frei como um candidato “velho”, que se opõem a renovação.
Sebastián Piñera, candidato da Aliança Por Chile (centro-direita), obteve 44,03% dos votos válidos e disputará o 2º turno contra Eduardo Frei, representante da Concertación, coalizão de centro-esquerda, que conquistou 29,62%.
Na terceira colocação ficou Marco Enríquez-Ominami, candidato independente, com 20,12%, seguido de Jorge Arrate, do Juntos Podemos (esquerda), com 6,21%¨.
A vantagem conquista por Piñera no 1º turno foi possibilitada pelo desgaste da Concertación – a coalizão governista se dividiu em três candidaturas – e pela estratégia bem sucedida da Aliança por Chile em explorar a agenda de esquerda. Para conquistar o eleitor de classe média, Piñera defendeu a união civil entre homossexuais e a distribuição da pílula do dia seguinte.
A adoção de um tema estranho à agenda da direita revela um dos pontos cruciais da nova estratégia de Piñera, derrotado em 2005 pela presidente Michelle Bachelet: mostrar-se como candidato que se preocupa com temas que não fazem parte do discurso conservador.
Como não pode se opor as conquistas do governo Michelle Bachelet – aprovada por cerca de 80% dos chilenos – Piñera prometeu manter os programas de proteção social da atual gestão.
A preocupação de Piñera com a classe média baixa faz sentido. Esse segmento cresceu nos últimos anos e se tornou chave na eleição.
Embora a estratégia tenha surtido efeito, os segmentos mais conservadores estão descontentes com o movimento de Piñera em direção ao centro.
Independente dos juízos ideológicos, o fato é que a agenda estratégica proposta pelo candidato de oposição conseguiu encurralar a Concertación, aproximando a direita de uma vitória histórica no Chile – desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, os conservadores estão fora do poder.
Por: Carlos Eduardo Bellini
Nos últimos dias, o primeiro escalão do governo Michelle Bachelet desembarcou de “corpo e alma“ na campanha do candidato da Concertación, Eduardo Frei.O ministro da Fazenda, Andrés Velasco, e a ex-ministra Serviço Nacional da Mulher, Laura Albornoz , além da própria presidente do Chile (Michelle Bachelet) e de sua mãe, Ângela Jeria, estão participando ativamente da campanha eleitoral.
Apesar da popularidade de Bachelet ultrapassar os 70%—maior índice de aprovação popular de um chefe de Estado na história do Chile—o candidato governista não está conseguindo crescer nas pesquisas, muito pelo contrario.
Segundo a última pesquisa do Centro de Estudos da Realidade Contemporânea (Cerc), a Concertación (coalizão de centro-esquerda que governa o país desde 1990) pode sofrer uma derrota histórica.
Na sondagem, o candidato da Aliança por Chile (oposição), Sebastián Piñera, lidera com 41%, seguido de Eduardo Frei, da Concertación, e Marco Enriquez-Ominami, candidato independente, cm 20%.Na pesquisa anterior, realizada em julho, seus índices eram, respectivamente, de 39%, 25% e 14%. Ou seja, Piñera cresceu 2%, Frei caiu 5% e Enríquez-Ominami subiu 7%.
Diante deste cenário de adversidade para o candidato governista, a presidente Michelle Bachelet abraçou a campanha da Concertación. Em suas manifestações, ela tem dito que Frei dará continuidade as políticas sociais de seu governo.
A grande incógnita é saber o potencial que a mandatária chilena possui para alavancar seu candidato.
Se por um lado, ela pode ajudar transformando a eleição num plebiscito de seu governo, por outro, pode atrapalhar na medida em que Eduardo Frei terá dificuldades em conquistar os eleitores com sua própria agenda.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Os presidentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirão nos dias 7 e 8 de julho em Santiago, informou na última segunda-feira (11) o chanceler chileno, Mariano Fernández. Segundo a agência Ansa, ele disse que o encontro tem como objetivo discutir o contexto político e econômico vivido pela região.Na ocasião, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que exerce também a presidência temporária do bloco, transmitirá o cargo a seu colega equatoriano, Rafael Correa. Fernández também anunciou que viajará ao Equador no próximo dia 19 para se reunir com o chanceler Fander Falconí a fim de discutir a agenda da cúpula de julho.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Na última quarta-feira (21), a Câmara dos Deputados do Chile aprovou com ampla maioria um projeto de emenda constitucional que introduz o voto voluntário e a inscrição automática para as eleições. Segundo a agência Ansa, o número de eleitores aumenta de 8 para 11,8 milhões com a decisão.A emenda possibilita que todo chileno, ao completar 18 anos, terá o direito de votar, sem que para isso seja preciso nem mesmo tirar o título de eleitor. Desse modo, o voto poderá ser feito com a carteira de identidade, o que permitirá o voto de chilenos que vivem fora do país.
No entanto, a mudança não deve entrar em vigor antes das próximas eleições presidenciais do país – previstas para dezembro deste ano -, pois o projeto ainda precisa da aprovação do Senado, que estará em recesso até o mês de março.
A presidente chilena, Michele Bachelet, destacou a importância da aprovação do projeto na Câmara ao afirmar que, no Chile, a democracia é também uma grande festa que convoca todos seus cidadãos a fazer parte das decisões.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O BCC (Banco Central do Chile) anunciou ontem que provavelmente baixará a taxa de juros nos próximos meses para estimular a economia em meio a crise financeira mundial. O presidente do instituto emissor do BCC, José De Gregório, disse que as estimativas do mercado apontam para uma redução dos 8,25%, que é mantido para combater a inflação.“É provável que nos meses seguintes seja agregado algum impulso a economia, na medida em que vejamos progressos na questão inflacionária”, afirmou.
No entanto, Gregório reconheceu que a inflação segue sendo um problema e seus registrou continuam bastante elevados.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O Chile deve ser um dos países prejudicados pelas políticas de proteção social defendidas pelo novo presidente dos EUA, Barack Obama, em seu programa (baixar os impostos para os mais pobres e aumentar para os mais ricos, garantir mais acesso ao sistema de saúde e ao seguro-desemprego e melhorar a educação das crianças).
A crise da economia norte-americana somada às políticas intervencionistas que marcam os governos democratas deve trazer obstáculos ao TLC (Tratado de Livre Comércio) existente entre os dois países, pois a economia dos EUA estará mais protegida.
A estatização dos fundos de pensão privados foi descartada pelo ministro da Fazenda do Chile, Andrés Velasco. Segundo a agência Ansa, ele lembrou que o país “já fez uma grande reforma nas pensões, que contou com a aprovação dos diferentes setores da sociedade”.Em declarações concedidas a jornalistas, Velasco assegurou que as poupanças dos trabalhadores estão seguras. “O importante é ter bem claro que temos uma instituição bem estruturada no Chile, temos mecanismos de fiscalização e de controle, e um sistema que está funcionando”, disse.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Ao comentar se a possível candidatura do ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, lhe prejudicaria, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, admitiu já estar na corrida presidencial.Segundo a agência Efe, além de Lagos e Insulza, outros nomes cogitados são a ex- chanceler Soledad Alvear e o ex-presidente Eduardo Frei, ambos democratas cristãos. Ao ser questionado sobre a liderança do empresário Sebastián Piñeda, candidato da oposição, ele disse que a Concertación (coalizão que apóia o atual governo), ainda não tem candidato. Por isso, Piñeda está em vantagem. (Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)