O ano de 2010 será bastante movimentado na América Latina. No
Uruguai, o ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica toma posse como
novo Presidente. Ele será o responsável por dar continuidade às conquistas
econômicas e sociais inauguradas pela Frente Ampla no governo do atual
Presidente, Tabaré Vázquez, em 2005. No entanto, como toda troca de
governo, haverá mudanças. Há um debate, ainda que silencioso, sobre a
manutenção ou não do Uruguai como membro do Mercosul. Há importantes
correntes entre os aliados de Mujica que defendem uma postura uruguaia
mais próxima à postura chilena: ser associado, mas com poderes para
executar as parcerias comerciais de seu interesse. Com a chegada da
Venezuela, há um sentimento de que a força uruguaia, que já era pequena,
ficará menor ainda. Além disso, a provável politização do Mercosul não
favorece o Uruguai.
Ainda assim, acredito que 2010 será mais um ano equilibrado no Uruguai. Um
dos grandes desafios de Mujica será manter a população jovem no país, já
que o povo uruguaio está, em média, cada vez mais velho. A tendência de
jovens uruguaios é seguir estudos na Argentina ou em outros países, o que
prejudica a força de trabalho do país. Mujica terá de investir para que os
jovens uruguaios sintam que poderão ter oportunidades semelhantes de
trabalho em seu próprio país.
No Chile, após 20 anos no poder, a Concertación – coalizão de
centro-esquerda que governa o país desde 1990 – corre o risco de ser
derrotada pela forças de centro-direita, agrupadas em torno de Sebastian
Piñera, da Aliança por Chile. Ele disputará o segundo turno contra o
ex-presidente Eduardo Frei, representante da Concertación, no dia 17 de
janeiro. Assim como no Uruguai, o Chile encontra-se no “piloto
automático”. Fundamentos econômicos não são pontos de divergência entre os
candidatos, mas pontos de convergência. Com uma campanha inteligente,
Piñera evitou ataques contra Eduardo Frei e preferiu caracterizar o
Concertación como a “manutenção da velha política chilena”. Piñera se
coloca como o candidato que manterá as conquistas do Concertación, mas com
melhorias. Para conquistar um público ainda mais amplo, Piñera saiu um
pouco da postura conservadora e passou a defender casamento entre
homossexuais e distribuição da pílula do dia seguinte. Por outro lado,
mesmo com uma popularidade acima de 80%, Michelle Bachelet não conseguiu
transferir isso a Eduardo Frei.
No Brasil e na Colômbia, a agenda política girará em torno
das eleições. No Brasil, amparado na popularidade do Presidente Lula, o PT
tentará chegar ao terceiro mandato consecutivo com a ministra Dilma
Rousseff. Pelo lado da oposição, o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), tenta conduzir os tucanos novamente ao poder. A não ser que surja
um fato novo, a eleição brasileira tende a ser novamente polarizada entre
PT e PSDB, o que já ocorre desde 1994. Por ora, o placar dessa disputa
está em 2×2: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu em 1994 e 1998, e o
PT deu o troco em 2002 e 2006, elegendo e reelegendo Lula. A decisão dos
vices deverá ser o grande assunto na virada do ano. Pelo lado de Dilma,
Michel Temer perde força a cada dia e Henrique Meirelles ganha força. No
lado de Serra, o senador Agripino Maia é um nome que está sendo bem
cotado, e por isso é um dos que mais luta para que houvesse a saída do
governador José Arruda de seu partido, o Democratas.
Na Colômbia, o cenário pré-eleitoral está indefinido. O Presidente
Álvaro Uribe, embora não tenha anunciado, pretende buscar o terceiro
mandato consecutivo. No entanto, precisa que a Suprema Corte dê o aval
para a realização do referendo popular. Enquanto esta questão não for
resolvida, o tabuleiro eleitoral ficará com suas peças incompletas. Se for
candidato, Uribe entra como franco favorito e deve ser reeleito com
facilidade. Por sua vez, se o Presidente ficar impedido de buscar a
segunda reeleição consecutiva, o “plano B” é o ex-ministro da Defesa, Juan
Manuel Santos. Mesmo assim, Uribe seria plenamente capaz de eleger Juan
Manuel Santos. Sua impressionante popularidade e a confiança da população
em seu governo levaria uma grande parcela da população a votar em um
candidato escolhido por Uribe. No entanto, a tendência é realmente que
Uribe seja candidato.
Na Argentina e no México, o foco estará nas questões
econômicas. Na Argentina, estima-se que a inflação fechará 2009 em alta de
35%. Para piorar as coisas, o Kirchnerismo está perdendo força política.
Em 2007, ano em que se elegeu Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
tinha uma popularidade de 55% e o apoio de 20 dos 24 governadores. Além
disso, contava com maioria no Congresso Nacional. Na Câmara, 161 dos 257
deputados eram Kirchneristas. No Senado, 47 dos 72 senadores faziam parte
de sua base. Cerca de dois anos depois, o capital político da mandatária
argentina foi seriamente afetado. Na Câmara, o Kirchnerismo conta com 104
dos 257 deputados em sua base. No Senado, 36 dos 72 senadores são
governistas. Para piorar as coisas, atualmente, apenas dez dos 24
governadores apoiam Cristina Kirchner. Com tantos problemas pela frente,
resta à Casa Rosada torcer pela recuperação econômica do país e que o
ex-presidente Néstor Kirchner retome o comando sobre o Partido
Justicialista (PJ), algo muito difícil de acontecer.
No México, a expectativa é que 2010 seja melhor que 2009. Por conta
da vinculação do país com a economia norte-americana, o PIB mexicano foi
fortemente atingido. Além de derrubar a popularidade do Presidente Felipe
Calderón, a conjuntura econômica desfavorável alavancou novamente o
lendário Partido da Revolução Institucional (PRI). Com cerca de três anos
de governo pela frente, Calderón aposta na recuperação da atividade
econômica para neutralizar seus dois principais adversários: o PRI e o
líder nacional Manuel López Obrador, do PRD.
No Bloco Bolivariano (Venezuela, Equador e Bolívia) podemos
aguardar um crescimento da retórica antiamericana. Na Venezuela,
Hugo Chávez testará sua popularidade e a do Partido Socialista Unido da
Venezuela (PSUV) nas eleições legislativas. Diferentemente de quatro anos
atrás, a oposição não boicotará as eleições, o que deve deixar a disputa
mais acirrada. No entanto, a oposição venezuelana padece de um mal muito
semelhante ao da oposição boliviana: não há articulação, há muitas
desavenças internas e disputas que desgastam seus nomes mais fortes. Desta
forma, caso não haja uma reestruturação sobre o que a oposição realmente
almeja alcançar, Chávez observará a implosão da oposição e terá uma
campanha relativamente tranquila. Na área econômica, o governo aposta que
o preço do barril do petróleo se valorize no mercado mundial. Se isso não
ocorrer, as dificuldades serão grandes, já que mais de 45% do Orçamento de
2010 foi destinado para gastos sociais. Além disso, a reserva que Chávez
conseguiu guardar quando o preço do barril estava acima dos US$ 100 já
está perto do fim. Ele depende, portanto, fortemente de um aumento no
preço do barril.
No Equador, o desafio do Presidente Rafael Correa será manter sua
elevada popularidade (cerca de 58% segundo as últimas pesquisas). Assim
como na Venezuela, o país terá problemas econômicos pela frente.
Dentro do Bloco Bolivariano, as atenções estarão voltadas para a
Bolívia. Após o resultado da última eleição presidencial, o
Movimento ao Socialismo – partido do Presidente Evo Morales – conquistou a
hegemonia no sistema político. O MAS, além de manter o controle da Câmara
dos Deputados, obteve maioria absoluta na Câmara dos Senadores. Assim, a
soma da popularidade de Morales com o poder conquistado pelo MAS deverá
fortalecer o projeto nacionalista-indigenista do mandatário boliviano. A
tendência é que a chamada “Refundação da Bolívia”, que foi travada pelo
Senado em diversas oportunidades, avance. Outro fator que ajuda Evo
Morales é a falta de articulação da oposição. Podemos esperar um governo
um pouco mais radical na Bolívia. Desta vez, Morales não terá tantos
entraves burocráticos, políticos e judiciais para implementar as mudanças
previstas na nova Constituição.
As políticas domésticas transcorrerão em 2010 muito semelhantes ao que
ocorreu em 2009 em todos os países. A geopolítica continental poderá
encontrar algumas movimentações um pouco mais diferentes. A conclusão das
compras militares pelo Brasil (caças, blindados, helicópteros e
submarinos) estimulará outros países a observarem seus próprios programas
militares. A Argentina, por exemplo, está aguardando algumas definições
sobre o Brasil para iniciar o seu processo de modernização das Forças
Armadas. Comenta-se que a escolha dos caças que o Brasil fizer afetará
diretamente a escolha que a Força Aérea Argentina fará. O Equador deverá
ser outro país que buscará uma modernização de suas Forças Armadas. O
Mercosul, por sua vez, iniciará uma nova fase em 2010. Com a entrada da
Venezuela, naturalmente, temas políticos passarão a fazer parte da agenda
do bloco. Isso poderá prejudicar a sobrevivência do Mercosul, uma vez que
já existe um membro pleno (Uruguai) onde a sociedade já discute se vale a
pena ou não continuar dentro do bloco.
Por Thiago de Aragão (*)
O crescimento econômico que muitos países da América Latina vivenciaram
nos últimos anos trouxe muitos aspectos positivos. Além desses aspectos
óbvios, tais como melhoria na condição social, estabilidade econômica e
capacidade de planejamento, entre outros, a expansão econômica trouxe
também novas questões para países latino-americanos se posicionarem.
Historicamente, como extensão da Europa no Novo Mundo, a América Latina se
viu comercialmente (e muitas vezes politicamente) vinculada aos EUA e à
Europa. Em uma escala também importante, os países dependiam de seus
vizinhos para manter certos setores estratégicos de suas economias
funcionando ativamente.
O sucesso econômico que a última década trouxe a alguns países, tais como
Brasil, Chile, Peru e Colômbia, entre outros, ampliou a visão comercial de
cada um desses países. Anteriormente, a dependência econômica dos EUA e
Europa restringia e diminuía o poder de negociação de qualquer país
latino-americano. Isso foi um grande combustível para que a retórica
furada de que “somos explorados pelos ianques imperialistas e europeus
colonizadores” se perpetuasse entre pseudointelectuais que não reconheciam
a incapacidade de nossos negociadores, mas apenas o proveito que os
estrangeiros tiravam de nós.
Hoje, essa situação está bastante diferente. O mundo diversificou sua
capacidade de produção e sua família de consumidores. O Brasil, por
exemplo, ampliou sua venda de produtos (e diversificou o cardápio de
produtos exportados) na América Latina, manteve os EUA e Europa como
consumidores importantes e tem na China um potencial “cliente” com
capacidade para causar um tsunami na balança comercial brasileira.
Comercial e economicamente todos nós já sabemos os benefícios da
diversificação de mercado e como isso gera um potencial de crescimento na
produção sensacional. Politicamente, a chegada de novos “players” muda um
pouco as perspectivas geopolíticas na América Latina:
1. A chegada de um novo “player” faz com que a demanda de produção
aumente, mantendo o crescimento econômico em um ciclo virtuoso e de
expansão;
2. A capacidade de barganha de países latino-americanos com velhos
compradores aumenta, pois um novo comprador é a segurança de que um
produto pode deixar um destino e assumir outro;
3. Assim, os EUA precisarão rever suas políticas de negociação com países
como Brasil e Peru, por exemplo, pois estes demandarão contrapropostas
interessantes para que este continue a ser preferencial no destino de
certos produtos;
4. Negociações comerciais, como a Rodada de Doha, por exemplo, ganham uma
nova dinâmica, já que alternativas viáveis e interessantes podem surgir
sem a presença de grandes economias, como EUA e Europa.
O maior desses players, naturalmente é a China. Ainda tímida em termos de
percepção, mas gigante em termos estatísticos, a presença dos chineses na
América Latina oferece uma alternativa que implica em uma total mudança de
conduta de países latino-americanos que desejam ter laços fortes com a
China. A região, e particularmente o Brasil, podem oferecer em abundância
itens vitais para a sobrevivência de um país ao longo deste século:
alimentos, energia e água.
A questão de alimentos já está bastante ativa. O Brasil exporta uma
quantidade considerável de arroz, soja, milho e outros produtos para a
China. Peru e Argentina também estão ampliando suas exportações para o
Oriente. Se antigamente os grandes mercados se dividiam entre EUA, Europa
e doméstico, um país com a população e apetite da China muda totalmente a
perspectiva de negociações. Já vemos interesse chinês em comprar terras na
América Latina para gerenciar uma produção aqui e, aos poucos, tomar conta
da logística de envio até a China. Isso é perigoso e contraproducente para
os latino-americanos. A cadeia logística deve sempre estar em poder dos
governos locais, para que não se perca o poder de negociação.
Energia segue sendo tão importante para os chineses como alimentos. Isso
pode ser uma grande oportunidade para atrair investimentos diretos para a
infraestrutura de cada país. Vale lembrar que o tema “energia” recolocou a
América Latina no mapa da geopolítica global tanto pelos pontos positivos,
como o pré-sal, tanto como pelas peripécias de Hugo Chávez financiadas por
petrodólares. Nesse setor, veremos uma presença chinesa mais forte e
evidente. Projetos de usinas e empresas que explorarão campos de petróleo
e gás natural virão da China com força total. Novamente, se o processo
logístico se perder e ficar integralmente nas mãos dos chineses, a China
de amanhã será interpretada como os EUA de ontem na América Latina. O
biocombustível é a “menina dos olhos” do governo brasileiro e, se bem
usado, será o grande objeto de barganha e negociação que o Brasil terá
para conseguir o que for conveniente não só da China, mas também dos EUA e
da Europa. Para isso, deve haver uma regulamentação doméstica desde a
produção até a distribuição para o cliente final no exterior de forma
transparente. Só assim, a confiança existirá e os investimentos maciços
externos na área ocorrerão.
Finalmente, água é um ponto sensível e bastante estratégico. No entanto,
este é um setor que assumirá um papel preponderante mais à frente. O mundo
reconhece que a necessidade de água potável aumenta a cada dia, mas ainda
não o suficiente para agir ativamente nas relações políticas entre países.
No entanto, a proteção do meio ambiente e ecossistemas onde esse bem é
encontrado está longe de ser bem feita. Assim, o mundo não confia na
América Latina como uma região segura para gerenciar esse recurso ao longo
dos próximos anos.
O tratamento das relações com a China deve ser muito bem pensado. Se
houver uma abertura total para a chegada dos chineses em forma de
investimentos, presença física de empresas e principalmente controle da
logística estratégica de alguns setores, corremos o risco de regredir e
voltarmos a ser dependentes de um só país. Devemos dar a oportunidade para
que a China e outros invistam no País, em uma condição de parceiros e
nunca de indispensáveis. Assim, Brasil, México, Argentina e Colômbia
poderão diversificar e ampliar suas produções e ter como compradores
vitais não só os chineses, mas também americanos, europeus, russos e
indianos.
* Diretor de Estratégia da Arko Advice
O resultado das investigações sobre a suposta inclusão ilegal de policiais bolivianos em território paraguaio foi apresentado pessoalmente pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, ao chefe de Estado do Paraguai, Fernando Lugo.Segundo a agência Ansa, os ministros Walker San Miguel (Defesa) e Alfredo (Rada) interior realizaram inspeções na zona fronteiriça para averiguar a situação.
Na semana passada, o vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, disse que a soberania de seu país foi violada pela Bolívia, após o Exército boliviano ter identificado a invasão.
De acordo com a denúncia, um grupo armado de cerca de 20 homens invadiu o território paraguaio em 17 de maio para capturar um cidadão paraguaio acusado de ter cometido crimes na Bolívia.
O governo chileno está aberto a propostas para a construção de um túnel fronteiriço de 150 quilômetros para oferecer uma saída ao mar para a Bolívia, com continuidade territorial e sem afetar o limite entre Chile e Peru. A afirmação foi feita na última segunda-feira (11) pelo ministro das Relações Exteriores do Chile, Mariano Fernández.Segundo a agência Ansa, o chanceler lembrou que no passado foram apresentadas outras ideias em relação a esse tema, entre elas um projeto de três arquitetos chilenos que propuseram a construção de um túnel paralelo à Linha da Concórdia – que delimita o Chile e o Peru – que desembocaria em uma ilha construída artificialmente em um mar de jurisdição trinacional. Fernández destacou que está trabalhando com a Bolívia de uma maneira sistemática, já que este é um tema importante para os dois países.
Por sua vez, o governo boliviano defende o direito do país de reconquistar uma saída soberana para o mar, que perdeu para o Chile em um conflito ocorrido entre 1879 e 1883.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
A popularidade do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tem uma popularidade de 75%, informou a pesquisa Gallup divulgada ontem. Por sua vez, 20% têm uma avaliação desfavorável do chefe de Estado colombiano.Segundo a agência Efe, em junho sua popularidade era de 85% e em julho e 78% em agosto. Foram ouvidas mil pessoas em quatro regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, afirmou que será necessário efetuar um corte de pelo menos 1 milhão de barris diários em dezembro ou talvez antes. E, aliado ao corte, apontou ainda que também se insistirá no estabelecimento de uma banda de preços para o qual se têm duas opções, entre 70 e 90 dólares ou entre 80 e 100 dólares.
ARGENTINA: País vive uma crise de confiança. A estatização dos fundos de pensão oi vista pelo mercado como um sinal de que as regras do jogo podem ser alteradas no país. Diante disso, crescem os rumores sobre uma crise econômica.
URUGUAI: Começam as articulações para a eleição presidencial de 2009. O presidente Tabaré Vázquez quer que o candidato seja o ex-ministro da Economia, Danilo Astori, entretanto, as bases da Frente Ampla já começaram um abaixo assinado para que saia uma mudança constitucional que permita ao presidente concorre a reeleição. Por trás de tudo isso, está o temor de uma recessão econômica. Se isso ocorrer, apenas a candidatura de Tabaré poderia evitar o retorno ao poder dos setores conservadores.
PARAGUAI: O presidente Fernando Lugo começa a viver problemas em sua coalizão. O principal partido de sua aliança, o PLRA (Partido Liberal Radical Autentico), reivindica mais espaços. Algumas de suas lideranças mostram-se arrependidas do apoio dado ao chefe de Estado paraguaio.
CHILE: O projeto de poder da Concertación está seriamente ameaçado. Nas eleições municipais de domingo passado, a Renovação Naciona, coalizão de direita, venceu as eleições. Nas pesquisas de opinião, Sebastián Piñera aparece liderando todas as sondagens. Após 18 anos, a Concertación poder ser derrotada na sucessão presidencial de 2009.
COLÔMBIA: Congresso Nacional derrotou o projeto de lei que tentava abrir a possibilidade do presidente Álvaro Uribe concorrer ao 3º mandato.
VENEZUELA: Queda no preço do petróleo no mercado internacional cria problemas para o orçamento do governo para o ano que vem, ameaçando o projeto político de Chávez. Assim, o presidente utilizará as eleições regionais de novembro para radicalizar seu discurso, transformando a eleição num plebiscito sobre sua liderança. Se for vencedor, pode tentar um novo plebiscito para concorrer a reeleição ilimitada
BOLÍVIA: Divisão na oposição em torno da aprovação do referendo que pode aprovar a nova Constituição favorece o governo. Atento a isso, o MAS aposta na construção de uma hegemonia no país.
PERU: Crise política obrigou Alan García a modificar todo o 1º escala devido ao suborno que funcionários de seu governo receberam para fraudar licitações para exploração de petróleo. Isso aumentou a rejeição do presidente que hoje é de 70%.
MÉXICO: O Congresso Nacional aprovou a reforma energética. Com isso, o presidente Felipe Calderón poderá contar com recursos da iniciativa privada para a PEMEX aumentar sua produção.
Três engenheiros da empresa estatal de energia elétrica foram presos por “favorecimento culposo à sabotagem” no apagão que atingiu a Venezuela na semana passada, informou a procuradora-geral Luisa Ortega. Segundo a agência Ansa, em entrevista coletiva ela afirmou que a investigação demonstrou a responsabilidade de três funcionários da Edelca (Electrificación del Caroní). Adán Ramos, Honny Vasquez e Rodolfo Ortega, acusados pelos “crimes de interrupção de bens e serviços, favorecimento culposo a sabotagens ou prejuízos”, ficarão presos no Comando da Guarda Nacional. (Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
Com objetivo de amenizar os efeitos da crise financeira, o governo do Paraguai quer aumentar os investimentos públicos. Segundo a agência Ansa, em nota oficial a ENN (Equipe Econômica Nacional) informou que priorizará a execução de projetos que já contam com o financiamento de organismos internacionais. Eles estão avaliados em US$ 900 milhões.Além disso, do Focem (Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul) serão destinados US$ 340 milhões em projetos de infra-estrutura entre 2010 e 2015. De acordo com a EEN, o país dispõe de linhas de crédito tanto no Banco Interamericano como no Banco Mundial.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, afirmou que seu governo atuará com “sensatez e responsabilidade” frente à crise financeira internacional. Segundo a agência Ansa, ele pediu a seu gabinete uma ofensiva maior diante dos prognósticos catastróficos da oposição.“O Uruguai está bem e preparado para enfrentar a crise”, afirmou. Vázquez também disse que não planeja a aplicação de um ajuste fiscal. A reação do chefe de Estado uruguaio ocorreu depois que a oposição – liderada pelos partidos Blanco e Colorado – lembrou que o país será afetado pelas turbulências internacionais.
Como conseqüência, Tabaré Vázquez entende que seus ministros devem explicar a situação à população com “realismo, mas sem hesitação”.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)