Archive for December, 2009

Análise: Cenários 2010 para América Latina

Saturday, December 26th, 2009

O ano de 2010 será bastante movimentado na América Latina. No
Uruguai, o ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica toma posse como
novo Presidente. Ele será o responsável por dar continuidade às conquistas
econômicas e sociais inauguradas pela Frente Ampla no governo do atual
Presidente, Tabaré Vázquez, em 2005. No entanto, como toda troca de
governo, haverá mudanças. Há um debate, ainda que silencioso, sobre a
manutenção ou não do Uruguai como membro do Mercosul. Há importantes
correntes entre os aliados de Mujica que defendem uma postura uruguaia
mais próxima à postura chilena: ser associado, mas com poderes para
executar as parcerias comerciais de seu interesse. Com a chegada da
Venezuela, há um sentimento de que a força uruguaia, que já era pequena,
ficará menor ainda. Além disso, a provável politização do Mercosul não
favorece o Uruguai.

Ainda assim, acredito que 2010 será mais um ano equilibrado no Uruguai. Um
dos grandes desafios de Mujica será manter a população jovem no país, já
que o povo uruguaio está, em média, cada vez mais velho. A tendência de
jovens uruguaios é seguir estudos na Argentina ou em outros países, o que
prejudica a força de trabalho do país. Mujica terá de investir para que os
jovens uruguaios sintam que poderão ter oportunidades semelhantes de
trabalho em seu próprio país.

No Chile, após 20 anos no poder, a Concertación – coalizão de
centro-esquerda que governa o país desde 1990 – corre o risco de ser
derrotada pela forças de centro-direita, agrupadas em torno de Sebastian
Piñera, da Aliança por Chile. Ele disputará o segundo turno contra o
ex-presidente Eduardo Frei, representante da Concertación, no dia 17 de
janeiro. Assim como no Uruguai, o Chile encontra-se no “piloto
automático”. Fundamentos econômicos não são pontos de divergência entre os
candidatos, mas pontos de convergência. Com uma campanha inteligente,
Piñera evitou ataques contra Eduardo Frei e preferiu caracterizar o
Concertación como a “manutenção da velha política chilena”. Piñera se
coloca como o candidato que manterá as conquistas do Concertación, mas com
melhorias. Para conquistar um público ainda mais amplo, Piñera saiu um
pouco da postura conservadora e passou a defender casamento entre
homossexuais e distribuição da pílula do dia seguinte. Por outro lado,
mesmo com uma popularidade acima de 80%, Michelle Bachelet não conseguiu
transferir isso a Eduardo Frei.

No Brasil e na Colômbia, a agenda política girará em torno
das eleições. No Brasil, amparado na popularidade do Presidente Lula, o PT
tentará chegar ao terceiro mandato consecutivo com a ministra Dilma
Rousseff. Pelo lado da oposição, o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), tenta conduzir os tucanos novamente ao poder. A não ser que surja
um fato novo, a eleição brasileira tende a ser novamente polarizada entre
PT e PSDB, o que já ocorre desde 1994. Por ora, o placar dessa disputa
está em 2×2: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu em 1994 e 1998, e o
PT deu o troco em 2002 e 2006, elegendo e reelegendo Lula. A decisão dos
vices deverá ser o grande assunto na virada do ano. Pelo lado de Dilma,
Michel Temer perde força a cada dia e Henrique Meirelles ganha força. No
lado de Serra, o senador Agripino Maia é um nome que está sendo bem
cotado, e por isso é um dos que mais luta para que houvesse a saída do
governador José Arruda de seu partido, o Democratas.

Na Colômbia, o cenário pré-eleitoral está indefinido. O Presidente
Álvaro Uribe, embora não tenha anunciado, pretende buscar o terceiro
mandato consecutivo. No entanto, precisa que a Suprema Corte dê o aval
para a realização do referendo popular. Enquanto esta questão não for
resolvida, o tabuleiro eleitoral ficará com suas peças incompletas. Se for
candidato, Uribe entra como franco favorito e deve ser reeleito com
facilidade. Por sua vez, se o Presidente ficar impedido de buscar a
segunda reeleição consecutiva, o “plano B” é o ex-ministro da Defesa, Juan
Manuel Santos. Mesmo assim, Uribe seria plenamente capaz de eleger Juan
Manuel Santos. Sua impressionante popularidade e a confiança da população
em seu governo levaria uma grande parcela da população a votar em um
candidato escolhido por Uribe. No entanto, a tendência é realmente que
Uribe seja candidato.

Na Argentina e no México, o foco estará nas questões
econômicas. Na Argentina, estima-se que a inflação fechará 2009 em alta de
35%. Para piorar as coisas, o Kirchnerismo está perdendo força política.
Em 2007, ano em que se elegeu Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
tinha uma popularidade de 55% e o apoio de 20 dos 24 governadores. Além
disso, contava com maioria no Congresso Nacional. Na Câmara, 161 dos 257
deputados eram Kirchneristas. No Senado, 47 dos 72 senadores faziam parte
de sua base. Cerca de dois anos depois, o capital político da mandatária
argentina foi seriamente afetado. Na Câmara, o Kirchnerismo conta com 104
dos 257 deputados em sua base. No Senado, 36 dos 72 senadores são
governistas. Para piorar as coisas, atualmente, apenas dez dos 24
governadores apoiam Cristina Kirchner. Com tantos problemas pela frente,
resta à Casa Rosada torcer pela recuperação econômica do país e que o
ex-presidente Néstor Kirchner retome o comando sobre o Partido
Justicialista (PJ), algo muito difícil de acontecer.

No México, a expectativa é que 2010 seja melhor que 2009. Por conta
da vinculação do país com a economia norte-americana, o PIB mexicano foi
fortemente atingido. Além de derrubar a popularidade do Presidente Felipe
Calderón, a conjuntura econômica desfavorável alavancou novamente o
lendário Partido da Revolução Institucional (PRI). Com cerca de três anos
de governo pela frente, Calderón aposta na recuperação da atividade
econômica para neutralizar seus dois principais adversários: o PRI e o
líder nacional Manuel López Obrador, do PRD.

No Bloco Bolivariano (Venezuela, Equador e Bolívia) podemos
aguardar um crescimento da retórica antiamericana. Na Venezuela,
Hugo Chávez testará sua popularidade e a do Partido Socialista Unido da
Venezuela (PSUV) nas eleições legislativas. Diferentemente de quatro anos
atrás, a oposição não boicotará as eleições, o que deve deixar a disputa
mais acirrada. No entanto, a oposição venezuelana padece de um mal muito
semelhante ao da oposição boliviana: não há articulação, há muitas
desavenças internas e disputas que desgastam seus nomes mais fortes. Desta
forma, caso não haja uma reestruturação sobre o que a oposição realmente
almeja alcançar, Chávez observará a implosão da oposição e terá uma
campanha relativamente tranquila. Na área econômica, o governo aposta que
o preço do barril do petróleo se valorize no mercado mundial. Se isso não
ocorrer, as dificuldades serão grandes, já que mais de 45% do Orçamento de
2010 foi destinado para gastos sociais. Além disso, a reserva que Chávez
conseguiu guardar quando o preço do barril estava acima dos US$ 100 já
está perto do fim. Ele depende, portanto, fortemente de um aumento no
preço do barril.

No Equador, o desafio do Presidente Rafael Correa será manter sua
elevada popularidade (cerca de 58% segundo as últimas pesquisas). Assim
como na Venezuela, o país terá problemas econômicos pela frente.

Dentro do Bloco Bolivariano, as atenções estarão voltadas para a
Bolívia. Após o resultado da última eleição presidencial, o
Movimento ao Socialismo – partido do Presidente Evo Morales – conquistou a
hegemonia no sistema político. O MAS, além de manter o controle da Câmara
dos Deputados, obteve maioria absoluta na Câmara dos Senadores. Assim, a
soma da popularidade de Morales com o poder conquistado pelo MAS deverá
fortalecer o projeto nacionalista-indigenista do mandatário boliviano. A
tendência é que a chamada “Refundação da Bolívia”, que foi travada pelo
Senado em diversas oportunidades, avance. Outro fator que ajuda Evo
Morales é a falta de articulação da oposição. Podemos esperar um governo
um pouco mais radical na Bolívia. Desta vez, Morales não terá tantos
entraves burocráticos, políticos e judiciais para implementar as mudanças
previstas na nova Constituição.

As políticas domésticas transcorrerão em 2010 muito semelhantes ao que
ocorreu em 2009 em todos os países. A geopolítica continental poderá
encontrar algumas movimentações um pouco mais diferentes. A conclusão das
compras militares pelo Brasil (caças, blindados, helicópteros e
submarinos) estimulará outros países a observarem seus próprios programas
militares. A Argentina, por exemplo, está aguardando algumas definições
sobre o Brasil para iniciar o seu processo de modernização das Forças
Armadas. Comenta-se que a escolha dos caças que o Brasil fizer afetará
diretamente a escolha que a Força Aérea Argentina fará. O Equador deverá
ser outro país que buscará uma modernização de suas Forças Armadas. O
Mercosul, por sua vez, iniciará uma nova fase em 2010. Com a entrada da
Venezuela, naturalmente, temas políticos passarão a fazer parte da agenda
do bloco. Isso poderá prejudicar a sobrevivência do Mercosul, uma vez que
já existe um membro pleno (Uruguai) onde a sociedade já discute se vale a
pena ou não continuar dentro do bloco.

PERU: García ensaia retorno em 2016

Saturday, December 26th, 2009

Ao inaugurar obras de tratamento de água e esgoto no departamento de San Martín de Porres, o presidente do Peru, Alan García, afirmou que será difícil deixar o poder em 2011, ano que termina sua gestão.De acordo com García, até o final de 2011, seu objetivo será levar tratamento de água e esgoto para 98% dos peruanos.

Principal liderança política da Aliança Popular Revolucionária Peruana (APRA), Alan García terminará seu mandato como presidente no dia 28 de julho de 2011. Ele não poderá disputar a reeleição, pois a Constituição proíbe tal possibilidade.

García já havia sido presidente do Peru entre 1985 e 1990, quando teve uma gestão marcada pelo populismo, cris econômica e crescimento da violência. No mandato atual como presidente, sua agenda é totalmente distinta.

Apesar de ter sido eleito por um partido de esquerda, Alan García implementa um modelo econômico mais responsável, considerado positivo por parte do mercado.Mesmo com as críticas que sofreu e vem sofrendo, a aposta do presidente deu resultado, Em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 9,84%. Em 2009, apesar da consequências da crise financeira mundial, especula-se que o Peru poderá crescer de a 1% a 1,5%.

Em função, o atual governo é comparado com as gestões de Alberto Fujimori (1990-2000) e Alejandro Toledo (2001-2006), administrações que se caracterizam pela abertura de mercado e atração de investimentos.

Apesar das críticas que sofre por, supostamente, governar apenas para os empresários, e da baixa popularidade—apenas 29% dos peruanos aprovam seu governo—García deve buscar uma nova candidatura a presidente em 2016.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

PARAGUAI: Fernando Lugo defende seu governo

Saturday, December 26th, 2009

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou que as pessoas que não notam as conquistas de seu governo têm “problemas oftalmológicos”.Segundo a agência Ansa, o mandatário paraguaio disse que há o Paraguai das grandes maiorias que dividem as conquistas, e o Paraguai seleto, que não quer ver os avanços.

A manifestação de Lugo foi uma tentativa de responder a quem avalia que seu governo não cumpriu as promessas feitas durante a campanha.

Fernando Lugo ainda ressaltou a existência de “grandes interesses corporativos e políticos” contra os projetos de mudança e afirmou que o apoio da população “ridiculariza os manipuladores da realidade”.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

CHILE: Eleitores de Ominami serão decisivos no segundo turno

Saturday, December 26th, 2009

Marco Enríquez-Ominami, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição para presidente do Chile, será decisivo na disputa entre Sebastián Piñera e Eduardo Frei, os dois candidatos que passaram ao segundo turno.Nos bastidores, a Concertación está fazendo todos os esforços possíveis para conquistar o respaldo de Ominami. A coalizão de centro-esquerda que governa o Chile desde 1990 já obteve o apoio de Jorge Arrate, candidato do Juntos Podemos. O Partido Comunista do Chile (PCCh) também aderiu a Frei.

Segundo o portal “América Econômica”, o desejo da Concertación é unir todos os seus antigos aliados no segundo turno para impedir o retorno da direita ao poder.

Um dos objetivos da Concertación é buscar um acordos com as forças políticas que integravam essa coalizão para modificar a Constituição, o sistema eleitoral e profundar os direitos humanos.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

BOLÍVIA: Orçamento 2010 destinará mais recursos para empresas estatais

Saturday, December 26th, 2009

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou que no próximo ano (2010), serão destinados US$ 6,50 bilhões para o financiamento de 18 empresas estatais dedicadas aos setores estratégicos.O principal objetivo do mandatário boliviano é fazer com que o Estado tenha uma maior participação na economia.

O valor que serão destinados para as empresas estatais é considerado histórico se compararmos com 2005, ano em que as estatais receberam US$ 242 milhões.

A Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), a Empresa Metalúrgica Vinto, a Empresa de Apoyo a Produção de Alimentos (Emapa), e a Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE) estão entre as beneficiadas.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

URUGUAI: Aprovação de Tabaré Vázquez atinge 80%

Saturday, December 26th, 2009

Perto de encerrar seu mandato, a popularidade do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, atingiu os 80%, índice recorde no país.Segundo a agência Ansa, um levantamento da consultoria Factum apontou que o mandatário uruguaio tem o apoio de 96% dos eleitores que costumam votar na Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda que Vázquez faz parte.

Além disso, o atual presidente é bem visto por 63% dos eleitores tradicionais dos partidos Nacional e Colorado.

A sondagem também apontou que 80% dos uruguaios avaliam Tabaré Vázquez positivamente.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

ARGENTINA: País apostará em comércio com o Hemisfério Sul

Saturday, December 26th, 2009

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, afirmou que o comércio internacional do próximo ano começará a se recuperar da crise econômica com a ajuda dos países do Hemisfério Sul.Segundo a agência Ansa, em uma reunião de embaixadores, Taiana também disse que as autoridades argentinas acreditam que as trocas comerciais vão crescer mais rapidamente nos países desenvolvidos. Por isso, 62% das missões comerciais previstas estão direcionadas para o sul.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

VENEZUELA: Governo anuncia racionamento de energia

Saturday, December 26th, 2009

O governo venezuelano publicou na Gazeta Oficial uma resolução que visa racionalizar o consumo de energia elétrica no país. Segundo a agência Ansa, as medidas anunciadas incluem uma restrição no fornecimento de energia para os centros comerciais das 11h às 21 h.As indústrias pesadas que consomem mais de cinco megawatts por mês e os estabelecimentos que utilizem ao menos 2 megawatts deverão apresentar um plano de redução de 20% do consumo.

Além disso, as empresas que usem publicidade exterior com anúncios luminosos poderão deixa-los acesos apenas entre 18h e meia-noite, com exceção de farmácias, centros de saúde e instalações de segurança cidadã.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Especial Chile: Sentimento de renovação prejudicou transferência de votos

Monday, December 14th, 2009

Apesar do governo Bachelet ter sido muito eficiente na utilização dos programas sociais para alavancar sua popularidade, o sentimento de renovação ajuda a oposição.

O desgaste governista e a busca pelo “novo” começou dentro do próprio sistema político. A Concertación, que sempre se uniu para derrotar a direita, saiu com três candidaturas. Mais do que isso, Marco Enríquez-Onimani, candidato independente, fez mais de 20% dos votos.

São indicativos de que os políticos e o eleitorado chileno estão atrás do “novo”, sentimento que foi muito bem explorado por Sebastián Piñera e seus estrategistas.

Outro fator que prejudica o governo e ajuda a oposição é a candidatura de Eduardo Frei. Num cenário em que a palavra-chave é renovação, a escolha de um ex-presidente—mesmo que com um programa “novo”—facilitou a Piñera reforçar seu discurso de mudança.

Por já ter presidido o Chile e carregar o desgaste de 20 anos de governos da Concertación, ficou fácil rotular Frei como um candidato “velho”, que se opõem a renovação.

Especial Chile: Popularidade de Bachelet não ajudou Frei

Monday, December 14th, 2009

A elevada popularidade da presidente Michelle Bachelet (80%), era esperada pelos aliados de Eduardo Frei como um ponto favorável a Concertación. No entanto, a mandatária chilena não conseguiu transferir a popularidade para seu candidato.

Embora isso já fosse esperado—popularidade é pessoal e intransferível—os governistas mais confiantes acreditavam que a maior presença de Bachelet ao lado de Frei fosse ajudar a Concertación, fato que não ocorreu.

Ao mesmo tempo em que Michelle Bachelet terminará seu governo como a presidente mais popular da história do Chile, poderá ter que passar a faixa presidencial para Sebastián Piñera, seu adversário político.

Por: Carlos Eduardo Bellini

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