Archive for September, 2009

TENSÃO EM HONDURAS DOMINA SEMANA NA AMÉRICA LATINA

Friday, September 25th, 2009

Como não poderia deixar de ser, a situação em Honduras é o grande tema da 
semana na América Latina. O retorno de Manuel Zelaya ao país ainda é uma 
história mal contada, que tem no Brasil um dos grandes protagonistas dessa 
história.

 

 

Independente da forma que Manuel Zelaya possa ter entrado no país, o fato 
é que baseado em seu próprio cronograma, isso deveria acontecer antes da 
Assembléia Geral da ONU. Após o golpe de Roberto Micheletti, o assunto ia 
perdendo força semana após semana, enquanto Zelaya perambulava por países 
em busca do que fazer.

 

 

Após 86 dias, seu retorno não tão triunfal como o tentado semanas antes, 
envolveu diretamente o Brasil na situação que este tanto almejava em 
muitos anos: centro dos fatos diplomáticos da região. Não podemos duvidar, 
mas não é simples de acreditar, que o Brasil – líder da região – ficou 
sabendo do ocorrido apenas quando Zelaya tocou a campainha da Embaixada 
Brasileira em Tegucigalpa. Pelo bem de nossa diplomacia, acredito que o 
Brasil já tivesse informações sobre o fato antes deste acontecer.

 

 

O abrigo concedido ao Presidente deposto é perfeitamente correto e 
compreendido. Como o Brasil reconhece Zelaya como o Presidente legítimo de 
Honduras, como poderia nossa embaixada mandá-lo dar meia volta e buscar 
outro abrigo? Nesse caso, o governo brasileirou agiu corretamente e de uma 
maneira feliz. No entanto, o erro de um País que busca a condição de 
mediador global foi a de dar ao Presidente Zelaya um microfone e 
autorizá-lo a incitar a população direto da varanda da Embaixada 
Brasileira em Tegucigalpa. A partir desse momento, o Brasil perdeu a 
condição de mediador e passou a ser um colaborador. Como colaborador de 
alguém que é inimigo do governo atual (legítimo ou não), nada mais natural 
do que esperar alguns atos de retaliação (tais como corte de água, luz e 
telefone).

 

 

O Brasil vem a cada ano assumindo um papel cada vez maior de liderança 
regional. Com toda a força e tradição do país mais poderoso da região, 
alguns atos são vistos com dúvida. Jornalistas argentinos disseram que 
Honduras poderia ser o “Waterloo” de Lula na política externa. Na 
Colômbia, a indagação foi uma só: como que o Brasil não tomou conhecimento 
de toda a ação?

 

 

A imagem que fica foi a de um plano muito bem arquitetado por Hugo 
Chávez – o avião que levou Zelaya até a fronteira era venezuelano e seu 
contato telefônico quase diário é com Chávez, e não com Lula. E no momento 
da polêmica, eis que surge Zelaya batendo na porta. Essa situação 
arquitetada por um terceiro país, a Venezuela, poderá trazer alguns lucros 
e muitos problemas para a imagem da diplomacia brasileira.

 

 

Sabe-se que o governo brasileiro tenta convencer Zelaya a aceitar asilo no 
Brasil. Desta forma, a tensão em torno da embaixada diminuiria e o diálogo 
seria a única saída. O caminho da violência, apesar de ser levado em 
consideração, não é algo muito viável no momento. Para que uma eventual 
guerra civil ocorra, uma ruptura nas Forças Armadas seria essencial. No 
caso de Honduras, tanto as Forças Armadas quanto o Congresso e o 
Judiciário se encontram a favor de Roberto Micheletti, além de uma 
importante parcela da população. Zelaya, por outro lado, ainda não 
encontra o número suficiente de simpatizantes dentro das Forças Armadas 
para que esta ruptura ocorra. Na população, aqueles que apoiam Zelaya não 
constituem a maioria.

 

 

Micheletti tentará vencer Zelaya e o Brasil na base do cansaço. O Brasil 
tentará convencer Zelaya a aceitar o asilo político. Assim, dificilmente 
algo que fuja desse espectro poderá ocorrer.

HONDURAS: Brasil pode estar atuando com o apoio norte-americano

Tuesday, September 22nd, 2009

A manifestação do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seu país e os EUA devem promover o progresso e a democracia em outros países do continente pode indicar que a decisão do governo brasileiro em dar asilo para o presidente deposto Manuel Zelaya, na sua embaixada em Tegucigalpa, conta com respaldo norte-americano.Mesmo que o Brasil seja politica e economicamente uma grande força na região, dificilmente o país entraria na crise política hondurenha sem o respaldo de Washington.

A ousada decisão brasileira foi importante para neutralizar a ação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No entanto, a tensão em Honduras está crescendo.

Na manhã de hoje, as forças de segurança cercaram a embaixada brasileira numa tentativa de forçar o Brasil a entregar Zelaya.

Mais do que isso, o governo de facto, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, acusou o Brasil de interferir nos assuntos internos de seu país.

Mesmo que não se fale nada a respeito, os EUA podem estar agindo nos bastidores nesta crise política. Aliás, Honduras é um país dependente de Washington. Os norte-americanos respondem por 67% das exportações e 52% das importações hondurenhas.

Além disso, o sucesso de uma intervenção brasileira seria positiva para impedir a movimentação de Chávez e a consequente postura anti-americana que viria da Venezuela.

 

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

ESPECIAL HONDURAS: Brasil busca recuperar protagonismo

Tuesday, September 22nd, 2009

A política externa brasileira adotou ontem uma postura ousada ao acolher na sua embaixada, em Honduras, o presidente deposto desse país, Manuel Zelaya—derrubado por um golpe de Estado no dia 28 de junho que uniu a Corte Suprema e o Congresso.Mesmo que a atitude do Brasil seja criticada por muitos observadores da poltica regional, ela constitui um importante movimento do Governo Lula para tentar recuperar o protagonismo perdido na América Latina.

Desde 2003, ano do primeiro mandato do presidente Lula, o Brasil perde espaço por dois motivos:

 

1) A prioridade dos EUA com a Guerra ao terrorismo no Afeganistão e Iraque, além dos históricos problemas entre judeus e palestinos no Oriente Médio;

 

2) A equivocada postura do governo brasileiro em buscar consensos numa região marcada pela radicalização política desde a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela.

 

A soma desses dois acontecimentos impulsionou a esquerda tradicional—liderada por Chávez, mas que encontra seguidores na Bolívia (Evo Morales) e Equador (Rafael Correa).

Dispostos a mudar este cenário, o Brasil aproveitou a conjuntura internacional favorável ao retorno de Zelaya para tentar recuperar o espaço perdido nos ultimos seis anos, neutralizando um possível movimento de Chávez.

Apesar da manobra ser arriscada em função do grau de radicalização em que chegou o sistema politico hondurenho, a ousadia do Brasil poderá ser a patrocinadora de um grande acordo entre Zelaya e o presidente do governo de facto, Roberto Micheletti.

 

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

ARGENTINA: Ministro da Economia nega que Brasil seja ameaça

Tuesday, September 22nd, 2009

A estratégia econômica da Argentina visa acessar mercados voluntários de crédito internacional e o Brasil não é um “elefante” com o qual se deve tomar cuidado, afirmou o ministro da Economia argentino, Amado Boudou.Segundo a agência Ansa, em uma entrevista concedida a imprensa, ele disse que o país tem com o Brasil complementaridades e assemetrias.

Com essa manifestação, Boudou rechaçou os comentários feitos de que a economia brasileira poderia representar uma ameaça à Argentina.

Sobre a economia local, o ministr disse que o país “está começando a ter uma aceleração maior”.

 

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

BUSCA POR INFLUÊNCIA POLÍTICA NA REGIÃO AMPLIA TEMAS LOCAIS

Friday, September 18th, 2009

Após uma semana em que a compra de armamentos militares por parte do 
Brasil foi um tema de repercussão continental, o assunto sofreu uma 
pequena mutação. Naturalmente, como a compra dos caças ainda não foi 
formalizada e vem gerando problemas para o Ministro da Defesa, Nelson 
Jobim, e para o Presidente Lula, o assunto continuará bastante vivo e 
discutido não só domesticamente mas também entre nossos vizinhos. Era de 
se esperar, porém, que após discussões e especulações específicas 
envolvendo a compra de aviões, os atores globais envolvidos nessas compras 
passassem a ter um papel mais importante.

 

A América do Sul se tornou um palco bastante interessante, o que não 
ocorria desde os tempos das ditaduras regionais. A busca por influência 
política ganhou um status que não é compatível com os tempos de paz que 
vivemos. Por outro lado, esse interesse de vários países do mundo em 
marcar território na América do Sul é perfeitamente compatível após o 
desempenho do Brasil e de alguns outros vizinhos na forma de lidar com os 
impactos da crise econômica.

 

Em parte, a compra de armamentos militares apenas ilustram o 
posicionamento geopolítico que observamos. A Colômbia, por exemplo, se 
consolida cada vez mais como um forte aliado dos EUA na região. Está bem 
claro o interesse que os dois países têm em cooperar, principalmente após 
os expressivos resultados que esta parceria vem gerando nos últimos anos 
contra os guerrilheiros das FARC. À medida que a Colômbia ganha 
envergadura, não só pela sua admirável recuperação frente ao narcotráfico 
e a guerrilha, o país vem se posicionando como um importante pólo de 
atração de indústrias e mercado para obras de infraestrutura. O resultado 
disso é uma solidificação na parceria com os EUA, que em algumas vezes 
acaba gerando problemas com seus vizinhos. Recentemente, o Presidente 
Álvaro Uribe deixou bem claro seu descontentamento frente à “falta de 
sensibilidade” que alguns países têm em relação à batalha travada entre 
Colômbia e as FARC e sobre a necessidade de utilizar apoio 
norte-americano.

 

O maior crítico desta parceria é o venezuelano Hugo Chávez. Com o intuito 
de sustentar uma política de resultados reais de curtíssimo prazo e sem 
grandes perspectivas de crescimentos sólidos, Chávez argumenta que o apoio 
norte-americano aos colombianos visa apenas um grande objetivo: invadir a 
Venezuela para tomar o petróleo da Faixa do Orinoco. Este argumento 
surreal serve muitas vezes para mascarar vários problemas domésticos que a 
Venezuela vem enfrentando. Como resposta a esta parceria, Chávez trata de 
iniciar algo similar com a Rússia, por mais que os russos não tenham lá 
tanto interesse assim. A visita desta última semana de Chávez a Moscou 
deixou claro para analistas de todo o mundo que o interesse russo não vai 
além da comercialização de armamentos para a Venezuela. Se trata de uma 
relação cliente-empresa. A oferta de Chávez para que a Rússia passasse a 
contar com bases militares no país não foi levada tão a sério em Moscou 
quanto foi aqui na América do Sul. Entre os russos, sabe-se que não vale a 
pena envolver-se em um jogo de intrigas quando o que a Rússia 
verdadeiramente quer é promover suas indústrias.

 

Para quem observa a configuração que vem se formando, existe na região uma 
presença política forte, evidente e com objetivos claros (EUA com 
Colômbia). Há também algo que não pode ser chamado de parceria, com 
interesses exclusivamente comerciais de um lado e políticos de outros 
(Rússia e Venezuela). Para apimentar o ambiente, o Brasil surge com novos 
ingredientes. Já foi discutido insistentemente a questão dos armamentos, 
mas há um interesse muito grande da França em obter um espaço perdido na 
esfera de influência sul-americana.

 

Por mais que o Brasil seja um país de grande envergadura e potencial que 
aos poucos se torna realidade, a França ainda acredita no Brasil em uma 
posição inferior. Se trata de uma relação entre português e índio, mas os 
“espelhinhos” que nos oferecem são modernos (?) caças Rafale. O Brasil é 
um país bem diferente de Colômbia e Venezuela. Claro que temos o que 
aprender com as virtudes do primeiro e os fracassos do segundo, mas não 
somos um campo fértil para uma presença exagerada de um país estrangeiro. 
Faz bastante sentido o posicionamento dos EUA frente à Colômbia e 
vice-versa. No entanto, em uma época em que independência e autonomia são 
palavras-chave, não faz sentido o Brasil portar-se como um país menor e 
amarrar-se a um único parceiro.

 

Independente disso, as repercussões do que Colômbia, Venezuela e Brasil 
fizerem na região afetará fortemente os outros vizinhos. A Argentina já se 
prepara para tentar melhorar seus armamentos militares. Certamente 
dependendo do que o Brasil escolher, a Argentina tenderá a seguir um 
caminho semelhante. O Peru, como foi sinalizado esta semana, buscará uma 
aproximação ainda maior com os EUA. Regionalmente, o Peru poderá ser a voz 
de solidariedade para com a Colômbia, caso esta realmente deixe a Unasul. 
Já Bolívia e o Equador seguirão o mestre – no caso, a Venezuela.

 

Em resumo, a América do Sul está cada vez mais politizada. A última 
reunião da Unasul em Quito deixou isso bem claro. Com a passagem da crise, 
os temas políticos voltarão cada vez com mais força. O Brasil deverá 
assumir um forte papel de mediação, dando o exemplo de não atrelar-se a um 
só país. A lógica recente das relações internacionais defende a 
multiplicação de parceiros – e isto era, inclusive, algo bastante 
defendido por Lula em 2002. O Brasil deveria ter vários parceiros para não 
depender apenas de um, e assim diminuir seu raio de ação.

A ESCOLHA DOS CAÇAS FRANCESES NO BRASIL E O IMPACTO NA AL

Wednesday, September 16th, 2009

A semana na América Latina foi bastante movimentada pelas repercussões do 
comentário do Presidente Lula ao lado do Presidente francês, Nicolas 
Sarkozy. Além de ser o convidado de honra e do fato de ser o Ano da França 
no Brasil, Sarkozy veio com uma missão simples e outra relativamente 
difícil. A simples seria concretizar o que já estava decidido ou 
parcialmente decidido: a compra dos submarinos e helicópteros. A missão 
difícil seria a de virar o jogo em relação aos caças que o Brasil deseja 
comprar.

 

 

Ainda sem ter um parecer técnico, o Rafale (caça francês) não era visto 
como favorito dentro da FAB. A escolha dos engenheiros é aparentemente 
pelo avião sueco Gripen NG, enquanto os pilotos têm preferência pelo 
norte-americano Super Hornet F-18. Baseado na informalidade, Lula 
facilitou o trabalho de Sarkozy quando argumentou que a escolha do Rafale 
seria por este estar “transferindo tecnologia”. No programa FX-2, a 
transferência de tecnologia é uma condição eliminatória desde o início da 
licitação. Todos os três atuais competidores apresentaram sólidas 
propostas de transferência de tecnologia.

 

 

Independente do mérito da melhor ou pior escolha para o Brasil, Lula criou 
um problema grave. A competição se tornou um alvo relativamente simples de 
advogados que queiram paralisar judicialmente o FX-2. Previsto para 
terminar somente em outubro, Lula ignorou a FAB e criou um mal-estar 
diplomático com EUA e Suécia. Na América Latina, a repercussão foi 
imediata. A imprensa colombiana, por exemplo, busca saber se haverá na 
América do Sul uma disputa por influência entre EUA, França e Rússia. 
Segundo os colombianos, a lógica se dará pelo apoio irrestrito dos 
americanos à causa colombiana contra as FARC, a aproximação entre Chávez e 
Rússia e agora, pela possibilidade de o Brasil comprar tudo “de uma cesta 
só”.

 
A soberania, palavra repetida diversas vezes pelo governo brasileiro, se 
coloca em uma situação dúbia: depender de um só país para armamentos 
estratégicos, bem como suas peças e know-how. Esta mesma soberania foi o 
tema no qual os formadores de opinião argentinos resolveram bater. O 
Brasil realmente vai assumir uma posição global predominante, ou está 
querendo acelerar esse processo se amarrando com um país alinhado? Para os 
argentinos, a compra dos armamentos brasileiros é de grande importância. 
Em algumas ocasiões, esses deixaram claro que, no caso dos caças, a 
escolha do Brasil poderia ser a mesma da Argentina. No entanto, com o 
valor estratosférico do Rafale, que mesmo reduzido continuará elevado 
frente aos outros dois concorrentes, a Argentina não poderá comprar nem um 
esquadrão completo. Como parte do pacote de sedução oferecido por Sarkozy, 
o Brasil terá exclusividade para vender Rafales na América Latina. No 
entanto, qual país da região terá condições de comprar esse avião?

 
No México, o tom foi de ironia. Formalmente a compra doas armamentos 
brasileiros foi muito pouco discutida, mas em conversas com fontes do 
governo mexicano estes acreditam que o Brasil poderá fazer um negócio 
complicado com a França caso compre mesmo os Rafale. Pondera-se, 
inclusive, que este avião não conseguiu ser vendido fora da França. Foram 
14 licitações perdidas e muitas confusões. Não há dúvida que se trata de 
um excelente caça, mas correndo um grande risco de ter no Brasil e na 
Líbia seus únicos compradores.

 
Obviamente não foi só a compra brasileira que movimentou as especulações e 
notícias na região. Se este foi, sem dúvida o assunto mais importante na 
geopolítica regional, importantes países tiveram movimentações domésticas 
nos últimos dias. Na Colômbia, o Presidente Álvaro Uribe se aproxima - 
ainda que a passos de formiga – de um terceiro mandato. Um referendo 
popular poderá ocorrer, e nesse caso Uribe com certeza sairá vitorioso.
Na Argentina, Cristina Kirchner foi capaz de resgatar um problema que 
estava aparentemente superado. A crise com os ruralistas foi retomada, 
podendo, inclusive, ser maior do que a última, ocorrida alguns meses 
atrás. O tiro no pé de Cristina foi vetar a lei de emergência agropecuária 
após o Congresso ter aprovado o projeto. Manifestações são esperadas em 
todo o paós ao longo da próxima semana, bem como pressões internas do 
partido e do governo para que Cristina volte atrás.

 
Na Bolívia, a  campanha eleitoral está sendo relativamente tranquila para 
Evo Morales, que possivelmente poderá vencer no primeiro turno. Com 
fortíssimo apoio dos movimentos sociais no país, Morales encontra uma 
oposição fragmentada e sem poder de fogo. Além disso, não há uma 
hierarquia de ataques provocados pela oposição, e sim críticas jogadas sem 
uma coordenação prévia. Por mais que Morales tenha oferecido um arsenal de 
razões para que seu governo seja atacado pela oposição (problemas na 
distribuição de gás e combustível, por exemplo), o Presidente boliviano 
consegue avançar sem muitos problemas rumo à reeleição.

Compra de caças franceses ilustra corrida armamentista na América Latina, diz ‘Monde

Wednesday, September 9th, 2009

Lula e Sarkozy em Brasília

Sarkozy foi ao Brasil para finalizar acordos militares

O acordo para a compra de caças franceses pelo Brasil, anunciado na segunda-feira pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, ilustra a corrida armamentista vivida atualmente pela América Latina, diz o jornal francês Le Monde desta terça-feira.

“Sarkozy também finaliza em Brasília a venda de helicópteros de combate e a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear – o que configura o maior contrato militar já assinado pelo Brasil”, afirma o diário.

“Com isso, o Brasil está tentando reforçar sua posição estratégica na região (da América Latina) e se opor à influência americana sobre o continente sul-americano.”

Em entrevista ao Le Monde, analistas ressaltam que a decisão do Brasil de procurar parceiros fora da América Latina para a obtenção de know-how de tecnologia militar pode “provocar uma corrida armamentista no continente e ser um obstáculo a uma maior cooperação com os países vizinhos no setor da defesa”.

Colômbia e EUA

Segundo o jornal, o orçamento militar dos países sul-americanos aumentou 91% entre 2003 e 2008.

O diário cita como exemplos a aquisição pelo Chile de tanques Leopard 2 e o recente acordo de cooperação militar entre os Estados Unidos e a Colômbia, que provocou reações negativas da Venezuela e do próprio Brasil.

“Esses anúncios aceleraram a compra de armamentos por Argentina, Peru, Equador e Bolívia”, afirma o Le Monde.

“Além disso, a tensão se agravou nos últimos meses, com o golpe de Estado em Honduras, que lembrou aos países latino-americanos que as armas ainda têm sua voz no continente.”

Ainda de acordo com os analistas ouvidos pelo jornal, por se oferecer a fabricantes franceses, o Brasil acabou contrariando seu próprio discurso de ser soberano em matéria de armamentos.

“O Brasil deveria dar o exemplo e não contribuir para a criação, no continente, de um cenário de possíveis enfrentamentos geopolíticos entre grandes potências estrangeiras”, disse ao diário o analista brasileiro Thiago de Aragão.

‘Bilhete premiado

O acordo entre França e Brasil também foi destaque no jornal francês Libération, segundo o qual, trata-se de um “bilhete premiado” para a indústria bélica francesa, que atualmente atravessa uma crise.

O diário informa que os aviões Rafale, que o Brasil deve importar, serão vendidos “nus”, o que deve obrigar o país a comprar também da França os armamentos que vão equipar as aeronaves.

Libération diz ainda que, sem o mercado brasileiro, a fabricante do Rafale, a Dessault Aviation, poderia fechar.

“Desde sua chegada ao poder, Nicolas Sarkozy se dedica a dar a Serge Dessault, o grande patrão da empresa e também do jornal Le Figaro, um lugar central no jogo industrial francês”, comenta o diário de oposição.

Compra de Caças

Wednesday, September 9th, 2009

A escolha do Brasil em comprar todos seus armamentos estratégicos de um só país não foi a escolha mais acertada. De forma alguma sou contra a compra desses armamentos, muito pelo contrário! O Brasil está completamente para trás militarmente e essas compras são vitais e oportunas. 

No entanto, não precisa ser um gênio para compreender que obviamente se gera uma corrida armamentista no continente. Esta, iniciada anos atrás. Não por culpa do Brasil, mas pela natureza que qualquer reaparelhamento gera.

O fator geopolítico deve ser calmamente analisado. O Brasil não precisa ficar retraído e abortar qualquer aquisição. No entanto, com tudo comprado de um só país, passamos a ter três núcleos no continente, cada um sob forte influência de alguma potência estrangeira. A Venezuela possui armamentos de sua maioria russos. A Colômbia, por sua vez, optou por ter os EUA como seu grande aliado na região. O Brasil optando exclusivamente pela França, poderia gerar um situação de tensão política entre França, EUA e Rússia na América do Sul por influência. 

Caso o Brasil tivesse diversificado suas compras, tendo optado pelos caças americanos ou suecos, naturalmente esta possível tensão geopolítica não existiria.

Bolívia: A Estratégia da Oposição

Tuesday, September 1st, 2009

Disposta a evitar a reeleição do presidente da Bolívia, Evo Morales, nas eleições gerais de dezembro, a oposição decidiu apostar no lançamento de vários nomes—estratégia da pulverização—para provocar a realização do 2o turno e construir uma frente anti-Morales.Até agora, os adversários do mandatário boliviano são: o ex-vice-presidente Victor Hugo Cárdenas (1993-1997), o ex-governador de Cochambamba, Manfred Reyes Villa, a cientista política Jimena Costa, o ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), o empresário Samuel Doria Medina, o prefeito de Potosi, René Joaquino e o dirigente campesino Alejo Veliz.

Segundo a imprensa local, José Luis Paredes, ex-governador de La Paz, que também está alinhado politicamente com a oposição, revelou que o senador opositor Óscar Ortiz, terá a tarefa de conversar com cada um dos pré-candidatos e construir uma frente opositora.Além de Paredes e Ortiz, o bloco também é apoiado por políticos de La Paz, Santa Cruz e Cochambamba, além dos governadores Sabina Cuellar (Chuquisaca), Ernesto Suávez (Beni) e o ex-governador Leopoldo Fernández (Pando).

Mesmo com toda a movimentação da oposição, o cenário ainda é favorável a Evo Morales, que além da elevada popularidade, conta com o apoio dos movimentos sociais e sindicatos cocaleiros.

 

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

EQUADOR: Bases colombianas ameaçam a região, diz Correa

Tuesday, September 1st, 2009

A região continua correndo perigo devido à cessão de sete bases colombianas a oficiais dos EUA, afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa.Segundo a agência Ansa, em seu programa semanal de rádio e televisão, o mandatário falou sobre os resultados da cúpula de chefes de Estado da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

O mandatário equatoriano se mostrou satisfeito com os resultados, embora continue desconfiado quanto aos objetivos e ao alcance do pacto bilateral.

De acordo com Correa, ninguém poderá assegurar que Bogotá vá mesmo manter o controle das instalações.

 

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

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