A INVASÃO CHINESA NA AMÉRICA LATINA

Por Thiago de Aragão (*)

 

 

O crescimento econômico que muitos países da América Latina vivenciaram 
nos últimos anos trouxe muitos aspectos positivos. Além desses aspectos 
óbvios, tais como melhoria na condição social, estabilidade econômica e 
capacidade de planejamento, entre outros, a expansão econômica trouxe 
também novas questões para países latino-americanos se posicionarem.

 

 

Historicamente, como extensão da Europa no Novo Mundo, a América Latina se 
viu comercialmente (e muitas vezes politicamente) vinculada aos EUA e à 
Europa. Em uma escala também importante, os países dependiam de seus 
vizinhos para manter certos setores estratégicos de suas economias 
funcionando ativamente.

 

 

O sucesso econômico que a última década trouxe a alguns países, tais como 
Brasil, Chile, Peru e Colômbia, entre outros, ampliou a visão comercial de 
cada um desses países. Anteriormente, a dependência econômica dos EUA e 
Europa restringia e diminuía o poder de negociação de qualquer país 
latino-americano. Isso foi um grande combustível para que a retórica 
furada de que “somos explorados pelos ianques imperialistas e europeus 
colonizadores” se perpetuasse entre pseudointelectuais que não reconheciam 
a incapacidade de nossos negociadores, mas apenas o proveito que os 
estrangeiros tiravam de nós.

 

 

Hoje, essa situação está bastante diferente. O mundo diversificou sua 
capacidade de produção e sua família de consumidores. O Brasil, por 
exemplo, ampliou sua venda de produtos (e diversificou o cardápio de 
produtos exportados) na América Latina, manteve os EUA e Europa como 
consumidores importantes e tem na China um potencial “cliente” com 
capacidade para causar um tsunami na balança comercial brasileira.

 

 

Comercial e economicamente todos nós já sabemos os benefícios da 
diversificação de mercado e como isso gera um potencial de crescimento na 
produção sensacional. Politicamente, a chegada de novos “players” muda um 
pouco as perspectivas geopolíticas na América Latina:

 

 

1. A chegada de um novo “player” faz com que a demanda de produção 
aumente, mantendo o crescimento econômico em um ciclo virtuoso e de 
expansão;

 
2. A capacidade de barganha de países latino-americanos com velhos 
compradores aumenta, pois um novo comprador é a segurança de que um 
produto pode deixar um destino e assumir outro;

 
3. Assim, os EUA precisarão rever suas políticas de negociação com países 
como Brasil e Peru, por exemplo, pois estes demandarão contrapropostas 
interessantes para que este continue a ser preferencial no destino de 
certos produtos;

 
4. Negociações comerciais, como a Rodada de Doha, por exemplo, ganham uma 
nova dinâmica, já que alternativas viáveis e interessantes podem surgir 
sem a presença de grandes economias, como EUA e Europa.

 

 

O maior desses players, naturalmente é a China. Ainda tímida em termos de 
percepção, mas gigante em termos estatísticos, a presença dos chineses na 
América Latina oferece uma alternativa que implica em uma total mudança de 
conduta de países latino-americanos que desejam ter laços fortes com a 
China. A região, e particularmente o Brasil, podem oferecer em abundância 
itens vitais para a sobrevivência de um país ao longo deste século: 
alimentos, energia e água.

 

 

A questão de alimentos já está bastante ativa. O Brasil exporta uma 
quantidade considerável de arroz, soja, milho e outros produtos para a 
China. Peru e Argentina também estão ampliando suas exportações para o 
Oriente. Se antigamente os grandes mercados se dividiam entre EUA, Europa 
e doméstico, um país com a população e apetite da China muda totalmente a 
perspectiva de negociações. Já vemos interesse chinês em comprar terras na 
América Latina para gerenciar uma produção aqui e, aos poucos, tomar conta 
da logística de envio até a China. Isso é perigoso e contraproducente para 
os latino-americanos. A cadeia logística deve sempre estar em poder dos 
governos locais, para que não se perca o poder de negociação.

 

 

Energia segue sendo tão importante para os chineses como alimentos. Isso 
pode ser uma grande oportunidade para atrair investimentos diretos para a 
infraestrutura de cada país. Vale lembrar que o tema “energia” recolocou a 
América Latina no mapa da geopolítica global tanto pelos pontos positivos, 
como o pré-sal, tanto como pelas peripécias de Hugo Chávez financiadas por 
petrodólares. Nesse setor, veremos uma presença chinesa mais forte e 
evidente. Projetos de usinas e empresas que explorarão campos de petróleo 
e gás natural virão da China com força total. Novamente, se o processo 
logístico se perder e ficar integralmente nas mãos dos chineses, a China 
de amanhã será interpretada como os EUA de ontem na América Latina. O 
biocombustível é a “menina dos olhos” do governo brasileiro e, se bem 
usado, será o grande objeto de barganha e negociação que o Brasil terá 
para conseguir o que for conveniente não só da China, mas também dos EUA e 
da Europa. Para isso, deve haver uma regulamentação doméstica desde a 
produção até a distribuição para o cliente final no exterior de forma 
transparente. Só assim, a confiança existirá e os investimentos maciços 
externos na área ocorrerão.

 

 

Finalmente, água é um ponto sensível e bastante estratégico. No entanto, 
este é um setor que assumirá um papel preponderante mais à frente. O mundo 
reconhece que a necessidade de água potável aumenta a cada dia, mas ainda 
não o suficiente para agir ativamente nas relações políticas entre países. 
No entanto, a proteção do meio ambiente e ecossistemas onde esse bem é 
encontrado está longe de ser bem feita. Assim, o mundo não confia na 
América Latina como uma região segura para gerenciar esse recurso ao longo 
dos próximos anos.

 

 

O tratamento das relações com a China deve ser muito bem pensado. Se 
houver uma abertura total para a chegada dos chineses em forma de 
investimentos, presença física de empresas e principalmente controle da 
logística estratégica de alguns setores, corremos o risco de regredir e 
voltarmos a ser dependentes de um só país. Devemos dar a oportunidade para 
que a China e outros invistam no País, em uma condição de parceiros e 
nunca de indispensáveis. Assim, Brasil, México, Argentina e Colômbia 
poderão diversificar e ampliar suas produções e ter como compradores 
vitais não só os chineses, mas também americanos, europeus, russos e 
indianos.

 

* Diretor de Estratégia da Arko Advice

Comentário (0)

VENEZUELA: Indústria demonstra pessimismo com situação econômica

Eduardo Gómez Sigala, presidente da Confederação de Industriais da Venezuela (Conindustria), avalia que a produção nacional apresentará uma redução de pelo menos 3% em 2009. No seu entendimento, isso será causado pelas políticas adotadas pelo presidente Hugo Chávez.Para Sigala, o resultado negativo deverá agravar a já difícil situação vivida pela indústria do país, que no ano passado avançou apenas 1,5%. Os motivos que estariam prejudicando a atividade produtiva são:

1)Prioridade às importações em detrimento dos produtos nacionais;

2)Dificuldade para obter insumos;

3)Política oficial de “perseguição” à atividade empresarial.

O presidente da Conindustria considera que as áreas mais afetadas são as de embalagens, artes gráficas, indústria automotriz, mecânica e petroleira. Não bastasse isso, o empresário reclamou do atraso no repasse de dólares, o que causa paralisações da produção.O panorama negativo descrito pelo setor industrial é consequência da redução do valor do petróleo, principal produto de exportação da Venezuela. Em razão desse cenário adverso, a Comissão de Administração de Divisas da Venezuela (Cadivi) reduziu o teto para as remessas enviadas do país para o exterior de US$ 1.800 para US$ 900 ao mês.

Antes disso, no dia 1º de janeiro de 2009, o governo havia reduzido de US$ 5.000 para US$ 2.500 o montante anual que os venezuelanos podem levar ao exterior.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

ARGENTINA: Estatizações de Chávez recebem apoio de deputados argentinos

A decisão do governo venezuelano de estatizar três siderúrgicas pertencentes ao grupo Techint recebeu o apoio de dois deputados federais argentinos de centro-esquerda, contrariando seus colegas no Parlamento, que criticaram duramente o presidente Hugo Chávez.Segundo a agência Ansa, Horacio Alcuaz, da Coalizão Cívica, rechaçou as iniciativas parlamentares que pretendem bloquear o ingresso da Venezuela ao Mercosul, ao alertar que pretender que os interesses do grupo Techint representem o interesse nacional argentino é muito ingênuo.

Por sua vez, o deputado Claudio Lozano assinalou que o grupo empresarial Techint não é argentino, pois seus donos são a família italiana Rocca, sua sede legal é o paraíso fiscal de Luxemburgo e a assembleia de acionistas ocorre na Itália.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

COLÔMBIA: Uribe se declara alvo das Farc, mas afirma não temer guerrilha

Apesar de dizer que não se assustará com as ameaças das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente colombiano, Álvaro Uribe, afirmou ser alvo de um plano de ataque da guerrilha. “Que eles procurem onde se esconder, porque não sabem a perseguição institucional que os aguarda”, alertou o governante.Segundo a agência Ansa, Uribe aumentou esta semana para 500 milhões de pesos (cerca de R$ 470 mil) a recompensa que seu governo oferece por informações que permitam o resgate do vereador Armando Acuña, do município de Garzón, localizado em Huilla. Acuña foi sequestrado no final de maio por supostos integrantes das Farc, que tentavam levar um grupo de 15 parlamentares.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

VENEZUELA: Oposição estuda proposta alternativa ao governo Chávez

O dirigente social cristão Luis Ignacio Planas informou, no início desta semana, que dez partidos da oposição, com organizações estudantis e grupos civis, constituíram uma mesa unitária para desenvolver propostas alternativas para o governo do presidente Hugo Chávez.Segundo a agência Afp, Planas ressaltou que o objetivo desta plataforma é construir uma grande rede social que permita apresentar uma proposta alternativa ao que Chávez representa. “Não é uma aliança eleitoral, tem uma agenda de trabalho que vai muito mais além disso. A prioridade para esta mesa é a agenda social”, disse.

Nesse sentido, os partidos concordaram em emitir declarações conjuntas e ter uma única voz sobre os assuntos políticos de agora em diante. O dirigente social cristão observou ainda que, na Venezuela, a aprovação em referendo da reeleição - que pode dar mais um mandato a Chávez em 2012 - iniciou um novo período.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

AMÉRICA DO SUL: Evo Morales apresentará investigação a Fernando Lugo

O resultado das investigações sobre a suposta inclusão ilegal de policiais bolivianos em território paraguaio foi apresentado pessoalmente pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, ao chefe de Estado do Paraguai, Fernando Lugo.Segundo a agência Ansa, os ministros Walker San Miguel (Defesa) e Alfredo (Rada) interior realizaram inspeções na zona fronteiriça para averiguar a situação.

Na semana passada, o vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, disse que a soberania de seu país foi violada pela Bolívia, após o Exército boliviano ter identificado a invasão.

De acordo com a denúncia, um grupo armado de cerca de 20 homens invadiu o território paraguaio em 17 de maio para capturar um cidadão paraguaio acusado de ter cometido crimes na Bolívia.

Comentário (0)

BRASÍLIA: Juristas se posicionam contra entrada da Venezuela no Mercosul

Durante debate ocorrido ontem na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, os juristas Celso Lafer e Ives Gandra Martins se posicionaram contra o ingresso da Venezuela no Mercosul. Eles mostraram preocupação quanto ao caráter do regime comandado naquele país pelo presidente Hugo Chávez.Segundo a agência Senado, Lafer disse que a adesão Venezuela ao bloco iria “adicionar conflito” à concepção democrática do grupo, complicando ainda mais as atuais dificuldades enfrentadas pelos países do bloco na conclusão de acordos comerciais.

Ives Gandra também se posicionou contrária a adesão da Venezuela no bloco regional. De acordo com a jurista, os acordos de mercado e comerciais em vigência, entre o Brasil e a Venezuela, são suficientes para manter as boas relações entre as duas nações. Sua sugestão é que o Brasil aguarde até o ano de 2011 para decidir se assina ou não o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

URUGUAI: País avança em negociações sobre acordo comercial com EUA

O Uruguai e os EUA avançaram nas negociações do Acordo Marco de Investimento e Comércio (Tifa, na sigla em inglês) após um encontro de representantes dos dois países na semana passada, em Washington, afirmou o ministro das Relações Exteriores uruguaio, Gonzalo Fernández.Segundo a agência Ansa, o ministro da Economia, Álvaro García, disse que “o essencial” do encontro foi o compromisso de ambas as partes para que até setembro, o Uruguai realize as análises sanitárias necessárias da carne bovina que os EUA desejam exportar para o país latino-americano.

Por sua vez, o Uruguai espera que os EUA agilizem a liberação dos trâmites administrativos para a liberação da carne ovina desossada no mercado norte-americano.

Assinado em 25 de janeiro de 2007, o Tifa é considerado uma preparação a um futuro Tratado de Livre Comércio (TLC).

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

ARGENTINA: País firma acordo de cooperação militar com a Alemanha

Com o objetivo de intensificar as relações político-militares entre a Argentina e a Alemanha, os ministros da Defesa dos dois países, Nilda Garré e Franz Josef Jung, respectivamente, assinaram uma declaração conjunta.Segundo a agência Ansa, o Ministério da Defesa da Argentina especificou que o compromisso foi assinado em Berlim, onde Nilda Garré se encontra em viagem. A declaração expõe a intenção de continuar intensificando a cooperação no âmbito político-militar entre os dois Ministérios da Defesa e das Forças Armadas, sobre a base de um exame recíproco de matérias de interesse comum e de possibilidades existentes.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)

BOLÍVIA: Petroleiras aumentarão produção de gás no país

O presidente da empresa estatal de energia YPFB informou que companhias estrangeiras de energia que operam na Bolívia concordaram em aumentar a produção de gás natural em quase 10%. As informações foram divulgadas pela Reuters.De acordo com reportagem do jornal La Razón, de La Paz, cerca de 13 companhias , incluindo a Petrobras, a espanhola Repsol e a francesa Total assinaram acordos que permitem à Bolívia aumentar a produção de gás natural para 44,68 milhões de metros cúbicos por dia, ante 41 milhões de metros cúbicos.

Depois da Venezuela, a Bolívia tem a segunda maior reserva de gás natural na América do Sul e é a maior região exportadora, fornecendo cumbustível para Brasil e Argentina.

 

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

Comentário (0)
Próximos Posts »
Wordpress Copyright 2008 © Thiago de Aragão.    ¦ Início ¦ Blog ¦ Thiago ¦ Serviços ¦ Artigos ¦ Palestras ¦ Podcasts ¦ Links ¦ Contato ¦ Login ¦ Webmail ¦